Órgão criado por Trump para supervisionar plano de cessar-fogo em Gaza reúne aliados estratégicos, mas enfrenta resistência da Europa e da ONU
O governo dos Estados Unidos oficializou nesta terça-feira (27) os 26 países fundadores do Conselho de Paz, iniciativa criada sob a liderança de Donald Trump para monitorar a implementação de seu plano de 20 pontos voltado ao fim da guerra entre Israel e o Hamas.
A lista foi divulgada ao longo do dia em postagens sucessivas na rede X, acompanhadas por mensagens de boas-vindas e bandeiras nacionais ao lado da americana.
A proposta do conselho, anunciada pela Casa Branca em setembro, faz parte da segunda etapa do acordo firmado entre Israel e o Hamas em outubro do ano passado, e estabelece a Faixa de Gaza como uma zona livre de armamentos, sob gestão transitória de um comitê palestino tecnocrático. O Conselho de Paz seria responsável por fiscalizar esse processo, que inclui o desmantelamento de grupos armados e a mediação internacional.


“O objetivo é construir uma base estável para a reconstrução da Faixa de Gaza, livre da presença de milícias e sob supervisão internacional legítima”, afirmou um porta-voz do governo americano. A expectativa é de que novos convites sejam estendidos a outros países ao longo das próximas semanas.
Apesar do apoio de governos alinhados à política externa americana, o projeto não obteve adesão unânime. Países europeus como França, Suécia, Espanha, Noruega e Eslovênia recusaram o convite, alegando que a iniciativa enfraquece a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).
E o Brasil?
O Brasil também foi convidado, mas até o momento não confirmou participação nem emitiu resposta oficial. Segundo interlocutores do Palácio do Itamaraty para a imprensa, a avaliação não é simples e que a adesão brasileira deveria estar condicionada à uma série de condições, como a utilização do conselho somente para tratar de Gaza.
Países fundadores concentram-se no Oriente Médio e Ásia
O núcleo do Conselho de Paz é formado por nações da Ásia Ocidental e do Oriente Médio, incluindo:
- Arábia Saudita;
- Catar;
- Bahrein;
- Emirados Árabes;
- Kuwait;
- Jordânia;
- Turquia;
- Paquistão;
- Azerbaijão;
Armênia. Também participam países da Ásia Central e Sudeste Asiático, como:
- Cazaquistão;
- Uzbequistão;
- Mongólia;
- Indonésia;
- Camboja;
- Vietnã.
Na Europa, os membros fundadores incluem:
- Hungria;
- Albânia;
- Bielorrússia;
- Kosovo;
Bulgária, enquanto Egito e Marrocos representam o Norte da África. A América Latina marca presença com Argentina, El Salvador e Paraguai.
Mesmo com a composição inicial, a iniciativa americana ainda enfrenta desconfiança por parte de organismos multilaterais e governos que veem no conselho um instrumento de unilateralismo geopolítico. Ainda assim, a Casa Branca tem reiterado que o órgão não pretende substituir a ONU, mas atuar de forma complementar à resolução pacífica do conflito em Gaza, em parceria com atores locais.

