Depois de mais de dez anos do lançamento de seu primeiro trabalho solo, o cantor e compositor gaúcho Deluce retorna com um novo álbum conceitual, provocativo e inspirado em relatos pessoais.
O primeiro passo dessa retomada é “Descansadão”, single com participação especial de Ava Rocha, que acaba de chegar às plataformas digitais, com distribuição do selo Loop Discos. Acompanhada de um clipe, a faixa abre a contagem regressiva para a chegada de Pimenta, prevista para março.
Ex-vocalista da banda indie Cartolas, Deluce constrói no álbum Pimenta uma narrativa organizada em três eixos: Trauma, Amor e Máscara. Em conjunto, o disco apresenta fragmentos do artista, da infância marcada por episódios de bullying à formação de uma persona defensiva na vida adulta, filtrados por poesia, ironia e tensão teatral. Deluce define o projeto como uma espécie de ópera burlesco-tropical.
Escolhida como primeiro single por sintetizar o espírito da obra na forma e no som, “Descansadão” avança em camadas, com sopros, percussões e vozes que surgem aos poucos, revelando gradualmente a estrutura musical de Pimenta. “Eu queria que o disco soasse de verdade, com instrumentos tocados de verdade. Em ‘Descansadão’, isso aparece logo de cara, com uma sonoridade bem brasileira e orgânica, que traz referências da Tropicália. É a forma como eu entendo que uma canção deve ser”, comenta Deluce.
A letra parte de uma ideia simples e direta: a indisposição para travar discussões – sejam elas políticas ou não – em ambientes hostis, onde o argumento racional cede espaço às paixões. Nesse cenário, ficar de boa surge como uma forma pacífica de protesto, ao se recusar a botar mais lenha na fogueira.
A participação de Ava Rocha reforça essa premissa por afinidade estética. Durante o processo de gravação, Deluce percebeu que a música dialogava diretamente com o universo da cantora e fez o convite, prontamente aceito. O encontro amplia o tom dramático da faixa e ajuda a regular o clima do disco.
O videoclipe, codirigido por Gabriel Manso e Jus Nino, acompanha esse espírito e opta por registrar o que, para Deluce, foi essencial no nascimento da música: o estúdio, o encontro e o gesto.

