Relatório aponta que as mulheres respondem pela coleta em mais de 70% dos domicílios rurais que não possuem acesso a esse tipo de serviço
O dia 22 de março marca a celebração do Dia Mundial da Água. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, com o objetivo de alertar sobre o uso consciente do recurso e colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos.
No entanto, um relatório divulgado pela ONU nesta última semana concluiu que as mulheres, apesar de serem as principais responsáveis pela coleta de água, continuam excluídas da gestão e dos cargos de liderança no setor.
O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado pela Unesco em nome da ONU-Água, aponta que as mulheres respondem pela coleta em mais de 70% dos domicílios rurais que não possuem acesso a esse tipo de serviço.
Para as lideranças das Nações Unidas, a mudança de cenário é urgente:
“Devemos intensificar os esforços a fim de proteger o acesso de mulheres e meninas à água. Este não é apenas um direito básico, pois quando as mulheres têm acesso igual à água, todos se beneficiam”, afirma o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany.
Já para Alvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da ONU-Água, é preciso reconhecer plenamente o papel central das mulheres e meninas nas soluções relacionadas ao tema.
“Precisamos de mulheres e homens que administrem a água lado a lado, como um bem comum que fornece benefícios a toda a sociedade”, declarou Lario.
Dia Mundial da Água
No contexto do Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), as Nações Unidas divulgam anualmente o Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. O estudo traz um alerta alarmante: 2,1 bilhões de pessoas ainda vivem sem água potável segura, e as mulheres são as principais vítimas dessa escassez.
Como são as responsáveis históricas pela gestão doméstica, elas enfrentam riscos que vão do esforço físico extremo à vulnerabilidade à violência de gênero.
O custo da desigualdade em números
A falta de infraestrutura rouba o futuro de milhões de jovens e adultas:
- 250 milhões de horas: É o tempo total que mulheres e meninas gastam por dia coletando água no mundo.
- Educação interrompida: Entre 2016 e 2022, 10 milhões de adolescentes faltaram à escola ou trabalho por falta de saneamento básico para higiene menstrual.
- Disparidade na infância: Meninas menores de 15 anos têm quase o dobro de probabilidade (7%) de serem encarregadas de buscar água em comparação aos meninos (4%).
Desigualdade no acesso à água
O relatório destaca que a desigualdade no acesso à água está ligada à posse de terra, onde homens chegam a deter o dobro de propriedades em relação às mulheres. Além disso, apesar de serem as principais gestoras do recurso no dia a dia, elas seguem sub-representadas nas decisões políticas e no financiamento do setor.
Para reverter esse cenário, a ONU recomenda quatro pilares de ação:
- Eliminar barreiras legais e garantir direitos iguais à terra e à água;
- Investir em dados que exponham as desigualdades de gênero;
- Valorizar o trabalho não remunerado das mulheres no planejamento hídrico;

