A música de Djavan é frequentemente descrita como um quebra-cabeça harmônico que ninguém consegue montar igual. Uma das curiosidades mais celebradas da sua carreira é a sua conexão orgânica com o cenário do jazz e do soul americano.
No início dos anos 80, o gênio Stevie Wonder ficou tão impressionado com o som do alagoano que fez questão de tocar gaita na canção “Samurai”.
O curioso é que Wonder não apenas tocou, mas tornou-se um admirador da forma como Djavan “quebrava” o tempo das músicas, criando uma batida de violão que não era nem exatamente samba, nem exatamente jazz, mas algo que os músicos chamam de “estilo Djavan”.
Relembre abaixo:
Ele inventou uma maneira de tocar que usa o violão como um instrumento de percussão e harmonia simultaneamente, o que o tornou um objeto de estudo em universidades de música ao redor do mundo.
Outra curiosidade poética sobre Djavan é o seu uso único de palavras e cores em suas letras. Ele é mestre em criar metáforas sinestésicas, onde sons têm cheiros e sentimentos têm cores.
A música “Sina”, por exemplo, guarda uma homenagem discreta: a palavra “caetanear”, inventada por Djavan para homenagear Caetano Veloso, acabou sendo dicionarizada e virou sinônimo de “fazer música com a inteligência e o brilho de Caetano”.
Confira abaixo:
Poucos artistas têm o poder de inventar verbos que passam a fazer parte da língua portuguesa. Além disso, Djavan sempre manteve uma independência estética absoluta, cuidando pessoalmente de seus arranjos e da produção de seus álbuns, o que garantiu que sua sonoridade nunca fosse “diluída” pelas exigências puramente comerciais das gravadoras.
Djavan também é um colecionador de orquídeas e um entusiasta da natureza, o que reflete diretamente na luz de suas composições. Muitas de suas melodias parecem seguir o movimento do vento ou o crescimento das plantas, resultando em uma música “solar” que é a marca registrada da sua negritude alagoana.
Ele provou que um artista negro brasileiro pode ser um mestre da sofisticação pop, sem precisar abandonar suas raízes rítmicas nordestinas. Sua trajetória mostra que a excelência técnica é uma forma de poder.
Hoje, Djavan é uma referência para qualquer músico que deseja unir o sucesso popular com o rigor artístico. Ele é o “Samurai” da nossa música, aquele que corta o óbvio com a lâmina de uma harmonia que brilha sob o sol dos trópicos.

