O deputado federal Adail Filho (MDB-AM), de 32 anos, é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Natural do Amazonas, ele construiu sua trajetória política com base em forte influência familiar no interior do estado, especialmente no município de Coari.
Filho do prefeito Adail Pinheiro, Adail Filho cresceu em meio à política e ganhou visibilidade ainda jovem. Empresário, decidiu seguir os passos do pai e entrou para a vida pública. Em 2016, com apenas 24 anos, foi eleito prefeito de Coari com mais de 50% dos votos e, quatro anos depois, em 2020, conseguiu a reeleição.
Apesar disso, Adail enfrentou problemas na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cassou seu registro de candidatura, apontando como irregularidade a sequência de mandatos da mesma família. Na prática, a Justiça entendeu que o grupo já estava há mais tempo no poder do que o permitido.


Antes disso, em 2019, ele foi preso temporariamente durante a operação “Patrinus”, que apurava um suposto desvio de recursos públicos. Na época, negou as acusações e foi solto dias depois. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Amazonas com mais de 90 mil votos, iniciando seu primeiro mandato na Câmara.
Entenda a investigação no STF
Adail Filho passou a ser investigado após três empresários – identificados como César de Jesus, Vagner Moitinho e Erick Saraiva – serem presos pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Brasília, na noite de 20 de maio de 2025, transportando R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo sem comprovar a origem.
A partir disso, documentos e aparelhos eletrônicos foram apreendidos e passaram a indicar movimentações financeiras suspeitas. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, há indícios de que empresas ligadas ao grupo mantinham contratos com a Prefeitura de Coari e poderiam ter sido usadas para fraudar licitações.


Também foram identificados repasses de emendas parlamentares enviadas ao município entre 2024 e 2025. O magistrado apontou ainda que os fatos investigados têm relação com o exercício do mandato parlamentar, o que justifica a condução do caso pelo Supremo Tribunal Federal, que passou a supervisionar o inquérito.
Além de encaminhar o caso à PF, Moraes fixou prazos para o avanço das investigações: 48 horas para o envio de documentos pendentes e 60 dias para as primeiras diligências. O objetivo é aprofundar a apuração sobre possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

