Proposta prevê cessar-fogo, libertação de reféns e desmilitarização da região; Hamas ainda não respondeu ao acordo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram nesta segunda-feira (29) um plano de paz para Gaza, mediado pela Casa Branca. A proposta prevê o fim imediato das operações militares, devolução de reféns e reconstrução da região com investimento internacional. O grupo palestino Hamas, porém, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o texto.
Durante coletiva em Washington, Trump instou os palestinos a “assumirem a responsabilidade pelo próprio destino” e declarou que, caso o Hamas recuse a proposta, apoiará a destruição do grupo. Netanyahu, por sua vez, reafirmou ser contrário à criação de um Estado Palestino e disse que, se houver recusa, Israel “terminará o trabalho sozinho”.
A proposta desencadeia a primeira tentativa de acordo desde a suspensão das negociações em setembro, após um ataque israelense contra membros do Hamas em Doha, no Catar. Na ocasião, Netanyahu teria pedido desculpas ao premiê do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, por meio de ligação intermediada por Trump.
Principais pontos do plano
O acordo determina que, 72 horas após a aceitação israelense, todos os reféns vivos ou mortos sejam devolvidos. Em troca, Israel libertará 250 palestinos condenados à prisão perpétua e outros 1.700 presos após os ataques de outubro de 2023. Para cada refém falecido devolvido, 15 corpos de palestinos serão repatriados.
O texto também oferece anistia aos militantes do Hamas que aceitarem a desmobilização e propõe passagem segura para os que desejarem deixar Gaza. Um órgão internacional de transição, chamado Conselho da Paz, será criado sob liderança de Trump e do ex-premiê britânico Tony Blair, com supervisão da reconstrução, implementação de governança tecnocrática e controle dos serviços públicos da Faixa.
A desmilitarização total de Gaza será conduzida por monitores independentes, com destruição da infraestrutura militar, fábricas de armas e túneis. Um programa internacional de recompra de armas está previsto, além de um plano de reintegração civil para ex-combatentes. O Hamas e quaisquer outras facções serão excluídos de qualquer papel no governo da região.
Ajuda humanitária e investimentos
O plano prevê a entrada imediata de ajuda humanitária, reestruturação de hospitais, infraestrutura básica e fornecimento de insumos essenciais, conforme moldes do acordo assinado em janeiro deste ano. Organismos como a ONU, o Crescente Vermelho e agências independentes coordenarão a distribuição, sem interferência de Israel ou do Hamas.
Gaza será transformada em uma zona econômica especial, com tarifas preferenciais e regime tributário negociado com países participantes. A proposta prevê incentivos a investimentos, geração de empregos e criação de uma economia autônoma, apoiada por especialistas com experiência em projetos urbanos do Oriente Médio.
A administração local ficará a cargo de um comitê tecnocrático e apolítico palestino, supervisionado por organismos internacionais. A Autoridade Palestina poderá reassumir o controle apenas após um programa de reformas. O plano ainda assegura que ninguém será forçado a deixar Gaza, mas que poderá sair e retornar livremente.
Trump finalizou dizendo que “Gaza será uma região reconstruída, desradicalizada e sem vínculos com o terrorismo”. Até o momento, não houve posicionamento formal por parte do Hamas.

