Presidente dos EUA sinaliza otimismo com a Otan, enquanto União Europeia reage a ameaças tarifárias e discute novo modelo de segurança
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21), durante discurso no Fórum Econômico Mundial, que não pretende utilizar força militar para controlar a Groenlândia, embora tenha reiterado a pressão sobre países europeus para viabilizar um acordo territorial.
A declaração foi feita horas após o mandatário expressar que “não há como voltar atrás” em sua meta de obter o controle sobre o território. A fala foi feita antes dele embarcar para a Europa.
Trump disse que o continente europeu “não está indo na direção certa”, embora tenha enfatizado que deseja vê-la prosperar. Segundo ele, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ainda é estratégica para a segurança internacional e para os interesses dos EUA.
“Acho que chegaremos a um acordo em que a Otan ficará muito feliz e nós ficaremos muito felizes. Mas precisamos dela para fins de segurança”, declarou.
Além do impasse territorial, Trump mencionou a situação da Venezuela, afirmando que o país deve obter mais lucro “nos próximos seis meses do que nos últimos vinte anos”, após a captura do presidente Nicolás Maduro. O líder norte-americano não detalhou a natureza do controle exercido sobre o território venezuelano, mas reiterou seu otimismo quanto a eventuais acordos na região.
Tarifas, retaliações e o papel da Europa
Antes de viajar, Trump havia ameaçado impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus caso não houvesse acordo sobre a Groenlândia, elevando a alíquota para 25% a partir de junho. A medida provocou reações imediatas na União Europeia, que já discute a ativação do chamado Instrumento Anticoerção (ACI) — um mecanismo inédito de retaliação econômica.
No mesmo evento, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Europa deve buscar independência estratégica e se adaptar à nova era de protecionismo global, marcada por tarifas e instabilidade diplomática.
“A Europa sempre escolherá o mundo, e o mundo está pronto para escolher a Europa”, declarou.
Sobre a disputa pela Groenlândia, von der Leyen ressaltou que o bloco “precisa se adaptar a uma nova arquitetura de segurança”, sem dar mais detalhes sobre contramedidas em estudo.


Macron critica ‘ambições imperialistas’
Em contrapartida, o presidente da França, Emmanuel Macron classificou a postura dos Estados Unidos como uma normalização do conflito e retorno de projetos autoritários globais. Usando óculos escuros devido a uma condição ocular, Macron alertou para o avanço de disputas em domínios como o ciberespaço, o comércio e a informação, e criticou o enfraquecimento do direito internacional.
“O conflito se tornou normalizado, híbrido, expandindo-se para novos domínios […]. É também uma mudança em direção a um mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado e onde a única lei que parece importar é a do mais forte”, disse o presidente francês.
Macron defendeu que França e Europa reforcem o multilateralismo como mecanismo de resistência à brutalização das relações internacionais, afirmando que tal postura serve “aos interesses de todos que se recusam a submeter-se ao domínio da força”.



