A medida do governo Trump tingiu, além do ministro Alexandre de Moraes, membros de sua família e outros integrantes da cúpula do STF.
A tensão política entre os Estados Unidos e Brasil pode estar tendo uma escalada histórica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “arbitrária” e “sem fundamento” a decisão do governo dos Estados Unidos de impor sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades brasileiras envolvidas no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida, que incluiu a suspensão de vistos de entrada no país, foi anunciada na sexta-feira (18) e atingiu, além do ministro Alexandre de Moraes, membros de sua família e outros integrantes da cúpula do Judiciário.
Para Lula, trata-se de uma violação da soberania nacional e de um gesto que rompe os princípios fundamentais de respeito entre Estados. “Nenhuma forma de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, comprometerá a missão mais importante dos poderes e instituições do Brasil, que é defender e sustentar permanentemente o Estado democrático de direito”, afirmou em nota oficial divulgada neste sábado.
A ofensiva diplomática norte-americana ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, no qual o ex-presidente é acusado de articular um golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022. O governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, impôs as sanções como resposta à atuação do STF, que expediu mandados de busca e restrições contra o ex-mandatário brasileiro, aliado político do republicano.
O STF não se pronunciou até a conclusão desta matéria.
Quais ministros foram alvos do governo dos EUA?
Embora não tenha sido divulgado oficialmente a lista dos “aliados de Moraes no judiciário”, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT) publicou nas redes sociais os nomes dos possíveis alvos do governo americano.








O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também foi alvo da revogação de visto, de acordo com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Em publicação na rede social X, Messias repudiou o que chamou de “ato sórdido” e reafirmou que o Judiciário brasileiro continuará cumprindo suas funções com independência. “Nenhuma manobra indevida intimidará os magistrados e membros do Ministério Público que atuam sob a égide da Constituição”, declarou.
O presidente Donald Trump vem criticando reiteradamente o julgamento de Bolsonaro, a quem classifica como vítima de uma “caça às bruxas”. Em carta enviada na última semana, Trump anunciou ainda a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto — abrindo o comunicado com críticas ao processo judicial contra seu aliado. Bolsonaro responde no Supremo pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio público.

