Boletos pesam no bolso logo após as festas; planejamento evita dívidas já em janeiro
Com a chegada de 2026, também aparecem as contas do início do ano, que já são conhecidas de muitos brasileiros. IPVA, IPTU, matrícula escolar, material dos filhos e reajustes em contas básicas costumam se concentrar nos primeiros meses e pressionar o orçamento. O problema é que, após os gastos das festas, muitas famílias não se organizam a tempo e acabam recorrendo ao crédito.
A boa notícia é que essas contas são previsíveis. Com planejamento financeiro simples e decisões conscientes, é possível atravessar esse período sem dívidas e sem sustos.
Quais são as principais contas do início do ano?
Entre janeiro e fevereiro, algumas despesas fixas costumam se concentrar e impactar o orçamento das famílias. As mais comuns são o IPVA e o IPTU, além das matrículas e mensalidades escolares. Para quem tem filhos, o gasto com material escolar também tem impacto significativo nas finanças.
Outras despesas frequentes nesse período incluem o seguro do carro e reajustes em contas básicas, como água, luz, plano de saúde e pedágios, que costumam sofrer aumento no início do ano.
Qual é o maior erro financeiro no começo do ano?
O erro mais comum é não fazer um orçamento familiar e subestimar o peso dessas despesas. Muitas pessoas entram no ano novo sem uma previsão clara dos gastos e acabam parcelando tudo logo nos primeiros meses.
Segundo Alfredo Coli Jr., coordenador do Serviço de Orientação Financeira da USP, em entrevista à VTV News, esse comportamento gera um efeito cascata de endividamento.
“O maior erro é não fazer o orçamento familiar e subestimar o impacto das despesas previsíveis de janeiro e fevereiro, como IPVA, IPTU, material escolar, matrícula, além do cartão de crédito com as compras de final de ano. Isso leva muitas famílias a recorrerem ao parcelamento logo no início do ano.”
Na avaliação do Procon-SP, a falta de planejamento empurra o consumidor para soluções financeiras mais caras no começo do ano. Em entrevista à VTV News, o órgão reforçou o alerta.
“O principal erro é a falta de planejamento. As pessoas esquecem que no início do ano, despesas como IPVA, IPTU, matrícula escolar, materiais e seguros, impactam fortemente no orçamento doméstico. O que pode acarretar outro problema, recorrer ao crédito caro para pagar as contas, o que pode gerar uma bola de neve de juros.”
Vale a pena pagar à vista ou parcelar IPVA e IPTU?
A decisão entre pagar à vista ou parcelar depende da situação financeira de cada família. Quando existe uma reserva financeira e o desconto oferecido compensa, o pagamento à vista pode ser vantajoso.
Por outro lado, o parcelamento pode ser mais seguro quando há outros gastos importantes previstos nos primeiros meses. Alfredo Coli Jr. destaca que “o mais importante é entender o fluxo de caixa, ou seja, tudo que entra e sai das contas.”
Como evitar virar o ano já endividado


Evitar dívidas logo no começo do ano exige atenção antes mesmo antes da virada. Muitas famílias concentram decisões financeiras importantes sem olhar o impacto acumulado dos gastos, aumentando o risco de descontrole. Com algumas atitudes simples, é possível atravessar esse período com mais organização e menos pressão no orçamento.
Veja o que ajuda a evitar o endividamento, segundo o coordenador do Serviço de Orientação Financeira da USP, Alfredo Coli Jr.:
- Mapeie todas as despesas do primeiro trimestre: liste IPVA, IPTU, escola, material, seguro e contas reajustadas. Ter clareza dos valores evita surpresas e decisões de última hora;
- Reduza o uso do cartão de crédito no fim do ano: compras parceladas em dezembro costumam estourar a fatura de janeiro. Priorize gastos essenciais e evite acumular parcelas;
- Planeje os presentes com antecedência: optar por presentes mais simples, criativos ou até experiências ajuda a manter o controle financeiro sem perder o significado;
- Faça combinados financeiros com a família: alinhar expectativas sobre gastos e prioridades evita conflitos e decisões por impulso.
Dessa forma, fica mais fácil manter o controle do orçamento, e essas medidas fazem grande diferença no equilíbrio das contas.
Além da organização interna do orçamento, o Procon-SP destaca que o planejamento é a principal ferramenta para evitar o endividamento no começo do ano. Em entrevista à VTV News, o órgão orienta que o consumidor antecipe as decisões financeiras para não agir por impulso.
“O consumidor deve listar todas as despesas previsíveis. Anotar valores e datas de vencimento ajuda a evitar decisões por impulso. Quando for necessário realizar compras, é importante sempre comparar o desconto à vista com os juros do parcelamento e evitar parcelar no cartão de crédito quando há juros embutidos”, orienta o Procon-SP.
O que pode ser cortado do orçamento sem comprometer a rotina
Nem sempre é preciso fazer cortes radicais. Pequenos ajustes já aliviam o orçamento. O melhor caminho é identificar gastos que passam despercebidos no dia a dia e que podem ser reduzidos sem impactar a rotina da família. Esse ajuste costuma ser temporário e ajuda a atravessar os primeiros meses do ano com mais fôlego financeiro.
Algumas atitudes práticas ajudam nesse processo:
- Comparar preços antes de comprar;
- Evitar compras por impulso;
- Cancelar ou pausar serviços pouco usados (streaming, aplicativos, entre outros);
- Reduzir consumo de água, luz e gás.
Além disso, para o coordenador do Serviço de Orientação Financeira da USP, algumas decisões estratégicas fazem diferença nesse período.
“Alguns ajustes comuns e pouco traumáticos são a redução temporária de pedidos por aplicativo e saídas para comer fora, uma pausa ou downgrade em planos de assinaturas, principalmente aqueles pouco usados. É importante privilegiar a criatividade, o contato com a natureza e programas gratuitos.”


Dicas para economizar com material escolar e despesas sazonais
Pesquisar preços antes de comprar faz diferença, tanto em lojas físicas quanto online. Reaproveitar materiais em bom estado do ano anterior também ajuda a reduzir custos.
Outra estratégia é negociar diretamente com a escola prazos e condições de pagamento. Avaliar o custo-benefício e evitar compras por impulso são atitudes que fazem o orçamento render mais.
O que fazer quando o dinheiro não é suficiente
Quando o orçamento não fecha, ignorar o problema costuma piorar a situação. A orientação é renegociar antes do vencimento, priorizar contas essenciais e evitar atrasos que geram multas e juros. Alfredo Coli Jr. orienta:
“O caminho mais racional é tentar renegociar antes do vencimento, priorizar contas essenciais e com juros mais altos, parcelar de forma consciente, evitando acumular várias dívidas pequenas, evitar atrasos, pois multas e juros costumam ser grandes ofensoras do orçamento.”
O Procon-SP alerta para o uso de crédito caro nesse período. Segundo o órgão, a falta de planejamento leva muitos consumidores a “recorrer ao crédito caro para pagar as contas, o que pode gerar uma bola de neve de juros”. A orientação é clara: “evite o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito”, que costumam ter juros elevados e agravar o endividamento.
Direitos do consumidor em caso de atraso
É importante saber que impostos como IPVA e IPTU não fazem parte de uma relação de consumo. Já no caso das mensalidades escolares, existem limites legais.
“A escola pode cobrar multa de até 2% sobre o valor da mensalidade, juros de mora (normalmente até 1% ao mês) e enviar o nome do responsável para cadastros de inadimplentes, após notificação.”, afirma o Procon-SP.
O órgão completa explicando que a instituição de ensino não pode impedir o aluno de assistir às aulas, realizar provas ou reter documentos por inadimplência. Qualquer tipo de constrangimento público também é proibido.
Como se organizar para as contas do início do ano
Para facilitar, veja um checklist rápido:
- Liste todas as contas do início do ano;
- Anote valores e datas de vencimento;
- Avalie pagar à vista ou parcelar com consciência;
- Evite crédito caro, como cheque especial e rotativo;
- Priorize despesas essenciais.
O Procon-SP disponibiliza em seu site uma cartilha gratuita de Orçamento Doméstico com orientações para planejamento financeiro, formas de pagamento e organização das contas. O material ajuda o consumidor a organizar as despesas e evitar o uso de crédito caro, como cheque especial e rotativo do cartão.
Em resumo, com informação e planejamento, o início do ano pode ser menos pesado no bolso e mais tranquilo para a família.
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