Maioria dos alvos na região de Campinas e Bragança Paulista não foi localizada; apenas 7,5% dos mandados foram cumpridos localmente
A Operação Ano Novo, Vida Nova, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo desde a noite de segunda-feira (29), resultou na prisão de 233 pessoas envolvidas em crimes de violência contra a mulher em todo o estado até a manhã desta terça-feira (30).
Na região de Campinas, Bragança Paulista, Jundiaí e Mogi Guaçu, porém, a maior parte dos investigados não foi localizada. O relatório interno, ao qual o VTVNews teve acesso, reuniu 80 mandados de prisão distribuídos entre as cidades de Campinas, Bragança, Jundiaí e Mogi Guaçu. Desses:
- 51 mandados constavam como não localizados;
- 16 já haviam sido cumpridos anteriormente
- 6 foram cumpridos durante a operação
- 3 estavam com ordem revogada
- 4 alvos foram identificados como falecidos
Em termos proporcionais, o resultado local revela que 63,8% dos alvos não foram encontrados, enquanto 20% já estavam presos anteriormente, 7,5% foram capturados nesta fase da ação, e os demais se dividem entre mandados revogados e casos de morte dos investigados.
Os alvos da operação respondem por crimes diversos enquadrados na Lei Maria da Penha, como agressão física, ameaças, injúria, calúnia e perseguição. A ação segue em andamento ao longo do dia, com equipes ainda em campo no cumprimento de ordens judiciais expedidas pelo Judiciário paulista.


Mobilização estadual
Em entrevista coletiva na manhã desta terça, o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que os números devem crescer ao longo do dia com a chegada de novas viaturas às delegacias. “Estamos com 233 pessoas presas, mas esse número vai subir, tem gente ainda mandando informações e viaturas chegando de todo o estado”, disse. Segundo ele, cerca de 1,5 mil policiais e 450 viaturas participam da operação em todo o estado.
A operação é realizada em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher. Para a secretária da pasta, Adriana Liporoni, a ação tem efeito direto na prevenção da violência doméstica.
“Um homem preso significa uma mulher salva, uma família salva”, declarou. Segundo Liporoni, a meta de 13 mil prisões até o fim do ano deve ser alcançada com as ações de novembro e dezembro. Até outubro, cerca de 11 mil prisões já haviam sido efetuadas.
Atuação das DDMs
As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), que participam diretamente da operação, têm papel central na investigação e cumprimento dos mandados. A delegada Cristiane Braga, coordenadora das DDMs, destacou que mesmo prisões por crimes considerados menores têm impacto relevante na contenção de escaladas de violência. “Quando tiramos de circulação um condenado por crime contra honra, injúria, calúnia ou uma vias de fato, estamos tirando de circulação um possível autor de um crime mais grave”, explicou.
A delegada também ressaltou a importância da confiança das vítimas nas instituições públicas.
“É importante que as vítimas confiem na polícia, na Secretaria de Segurança e no Judiciário, e denunciem os casos. Assim poderemos tomar atitudes mais contundentes e enfrentar de uma forma eficaz a violência contra a mulher”, concluiu.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
Em situações de violência doméstica, física, sexual, psicológica ou moral, é fundamental buscar ajuda o quanto antes. Existem diferentes canais de atendimento que funcionam de forma gratuita e sigilosa, oferecendo apoio e acolhimento às vítimas.
Os principais meios para denunciar são:

