Dados do IBGE mostram que o salário médio no Brasil atingiu o maior valor desde 2012
O salário médio dos brasileiros atingiu um novo recorde e chegou a R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE.
O valor representa um crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado e marca o maior patamar desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012.
Além da alta anual, o levantamento mostra que o rendimento médio também subiu 2,8% no trimestre, reforçando um cenário de aumento da renda dos trabalhadores no país. Com isso, o salário médio no Brasil supera o recorde anterior registrado no fim do ano passado.
Salário médio atinge maior valor da história no Brasil
O novo levantamento do IBGE mostra que o salário médio dos trabalhadores brasileiros nunca foi tão alto desde que a pesquisa começou a ser divulgada.
A média nacional chegou a R$ 3.652, superando o recorde anterior de R$ 3.623, registrado em dezembro. O crescimento reflete a recuperação gradual da renda no mercado de trabalho e o aumento dos ganhos em diversos setores da economia.
De acordo com os dados da PNAD Contínua, o avanço foi impulsionado principalmente por melhorias no rendimento de trabalhadores formais, informais, empregadores e profissionais por conta própria.
Setores que puxaram o aumento dos salários
Alguns setores da economia tiveram desempenho acima da média e contribuíram para a alta do salário médio no país.
A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura lideraram o crescimento anual, com aumento de 9% nos salários. Na sequência aparecem as atividades da construção, que registraram alta de 5,9%.
Outro destaque foi o grupo que reúne informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que teve crescimento de 5,4% nos rendimentos.
Também houve aumento nos salários do serviço doméstico, com alta de 4,7%, e na administração pública, que registrou crescimento de 3,9% nos rendimentos.
Trabalhadores por conta própria tiveram maior alta
Entre os diferentes tipos de trabalhadores, os profissionais por conta própria apresentaram um dos maiores crescimentos de renda.
Os ganhos desse grupo aumentaram 7,8% em um ano, o que representa cerca de R$ 222 a mais no rendimento médio. Os empregadores também tiveram crescimento expressivo, com aumento de 7,4%.
Já os trabalhadores com carteira assinada tiveram aumento de 2,8%, enquanto os informais registraram alta de 6,4%. Os salários dos empregados domésticos subiram 4,7%, e os servidores públicos tiveram crescimento de 4,3% nos rendimentos.
Massa salarial também bate recorde
O aumento do salário médio também elevou a chamada massa de rendimento real, que representa a soma de todos os salários pagos aos trabalhadores.
Segundo o IBGE, esse indicador chegou a R$ 370,3 bilhões, o maior valor já registrado pela pesquisa. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve crescimento de 7,3%, equivalente a cerca de R$ 25,1 bilhões a mais na economia.
Esse aumento indica maior circulação de dinheiro e tende a estimular o consumo das famílias, fator importante para o crescimento econômico.
Alta dos salários também preocupa Banco Central
Apesar do avanço na renda dos trabalhadores, o aumento do salário médio também entra no radar da política monetária.
O Banco Central monitora a evolução dos salários porque rendimentos maiores podem impulsionar o consumo e pressionar os preços, contribuindo para a inflação.
Economistas avaliam que esse cenário exige cautela nas decisões sobre juros. Segundo André Valério, economista do banco Inter, a expectativa é que a taxa Selic fique abaixo de 10% apenas a partir de 2028, diante dos desafios para manter a inflação dentro da meta.
Assim, embora o crescimento do salário médio seja positivo para o mercado de trabalho, ele também faz parte do equilíbrio delicado entre crescimento econômico e controle da inflação no país.

