Vice-presidente afirma que país responderá com Forças Armadas e fechamento de fronteiras em caso de agressão.
O governo da Venezuela anunciou que já está pronto para decretar estado de exceção caso os Estados Unidos avancem com qualquer ação que seja considerada uma agressão direta. A medida, de caráter emergencial, dará poderes especiais ao autocrata. O estado de exceção autoriza o presidente Nicolás Maduro a mobilizar as Forças Armadas em todo o território nacional e a determinar o fechamento das fronteiras marítimas, terrestres e aéreas por até 90 dias.
O anúncio foi feito na segunda-feira (29) pela vice-presidente Delcy Rodríguez, em uma coletiva de imprensa. “A Venezuela está sendo vítima de uma campanha sem precedentes”, declarou Rodríguez. “Os Estados Unidos devem pensar muito bem, porque as consequências serão catastróficas.”
A escalada na tensão é um produto do que aconteceu após o envio de navios norte-americanos ao sul do Caribe, próximo à costa venezuelana, sob pretexto de uma missão antinarcóticos. A movimentação foi interpretada por Caracas como um possível ensaio de intervenção.
Mortes em confrontos e reforço militar
Em setembro, as tensões se intensificaram após duas ações militares dos EUA contra embarcações venezuelanas. O primeiro ataque, em 2 de setembro, resultou em 11 mortos. O segundo, no dia 15, deixou três mortos e um militar norte-americano ferido.
Maduro ordenou o envio de 25 mil soldados ao Caribe e reforçou a vigilância aérea nas áreas sob influência da frota norte-americana. Em resposta, os EUA transferiram 10 caças F-35 para uma base em Porto Rico, ampliando o impasse militar na região.
Efeito geopolítico e alianças internacionais
Segundo o SBTNews, para o especialista em Geopolítica e Negócios Internacionais, João Alfredo Lopes Nyegray, a operação americana possui um duplo caráter: combate ao narcotráfico e demonstração de força estratégica diante do alinhamento da Venezuela com Rússia, China e Irã.
Nyegray ressalta que a recompensa de US$ 50 milhões oferecida por Washington por informações que levem à captura de Maduro — valor superior ao que foi oferecido por Osama Bin Laden — é um indicativo da prioridade atribuída à desestabilização do regime venezuelano.

