Especialista alerta para riscos à visão e orienta sobre prevenção e tratamento da inflamação ocular mais comum no verão
Com a chegada do verão e as viagens à praia, os casos de conjuntivite voltam a crescer e acendem o alerta para os riscos à saúde dos olhos. Dados da Secretaria de Saúde indicam aumento de até 27% em Campinas, e, segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, a doença exige atenção, já que pode evoluir e afetar a visão.
De acordo com Leôncio diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas a doença acontece durante todo o ano e segundo dados da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo houve um aumento de 50% na capital, 35% no estado e 27% no município.
O que é a conjuntivite?
O profissional explicou que a conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente e avascular que reveste o globo ocular e parte interna das pálpebras superior e inferior que protegem nossos olhos. Quando inflamam por algum motivo, resulta no inchaço das pálpebras e a dilatação dos vasos da esclera (branco dos olhos) que fica abaixo da conjuntiva. É por isso que os olhos ficam vermelhos.
Quando o tratamento é adiado, a córnea também é atingida e esta dupla inflamação é conhecida por ceratoconjuntivite. A ceratite, inflamação da córnea é a quinta causa mais frequente no mundo de perda da visão segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Portanto a conjuntivite não uma condição menor. Pode ter consequência grave quando a infecção atinge a córnea.
Sintomas
- Olhos vermelhos
- Coceira
- Lacrimejamento
- Sensação de corpo estranho
- Ardência
- Fotofobia
- Visão embaçada
- Secreção que gruda as pálpebras inchadas
Causas e tipos da doença


Queiroz Neto afirma que todos os tipos de conjuntivite podem acontecer em qualquer época do ano, mas é comum a ocorrência de surtos da viral e bacteriana no verão. Isso porque, as aglomerações em praias e piscinas facilitam a transmissão dos micro-organismos. Por outro lado, a irritação nos olhos causada pelo sol, água do mar e ressecamento da lágrima provocado pelo excesso de ar-condicionado aumentam a predispostos a infecções.
A conjuntivite viral é o tipo mais frequente e se diferencia da bacteriana pela secreção viscosa e transparente. Tem como principal agente o mesmo vírus do resfriado, adenovírus, embora também possa ser causada por outras cepas, como por exemplo o vírus do sarampo, o coronavírus e o herpes.
A conjuntivite bacteriana, é caracterizada por secreção amarelada e causada por diferentes cepas, sendo que os mais comuns são Staphylococcus aureus, Streptococcus Pneumonia e Haemophilus spp, mas pode ocorrer também por clamídia, entre outras.
Já a conjuntivite alérgica, é causada por uma hipersensibilidade à poeira, pelo de animais, pólen, ou ainda estar associada a doenças alérgicas como atopia rinite ou asma, explicou o médico.
O oftalmologista ressaltou que a conjuntivite tóxica é mais frequente entre mulheres pela exposição da mucosa ocular aos cosméticos e maquiagem. Um estudo conduzido pelo oftalmologista também mostra que o mau uso do filtro solar no verão é uma importante causa da conjuntivite tóxica porque a aplicação em excesso e a transpiração durante os banhos de sol facilitam a penetração do produto nos olhos.
Tratamento
Os quadros virais que muitos acreditam bastar o tratamento sintomático, com frequência exigem o uso de corticoide e em caso de contaminação pelo vírus da herpes pode ser necessário o uso de antiviral. Se a conjuntivite for bacteriana, é necessário uso de antibiótico.
Quando a causa é alérgica, é preciso evitar contato com o alérgeno, e anti-histamínicos ou corticoides tópicos podem ser prescritos. Na conjuntivite tóxica a recomendação é lavar abundantemente os olhos com água filtrada e não desaparecendo o desconforto marcar consulta oftalmológica.
“O tratamento da conjuntivite depende da causa, por isso o diagnóstico é fundamental. Um colírio errado pode agravar o quadro, por isso evite a automedicação”, recomendou. Queiroz Neto afirma que podem ser receitados colírios lubrificantes e limpeza frequente das secreções pelo menos três vezes ao dia com gase embebida em água filtrada ou soro fisiológico.
Como se prevenir
Abaixo estão os principais cuidados para prevenir a conjuntivite segundo o profissional:
- Lave as mãos com frequência;
- Evite tocar os olhos;
- Evite abraços, apertos de mão e beijos;
- Separe fronhas e toalhas;
- Não compartilhe maquiagem;
- Só use maquiagem e cosméticos dentro do prazo de validade;
- Separe fronhas e toalhas;
- Evite exposição a agentes irritantes;
- Proteja os olhos do sol com chapéu e óculos escuros;
- Evite camadas espessas de filtro solar na região periocular.
- Limpe objetos de uso compartilhado com álcool gel;

