Mais de 110 casos na Índia levam países vizinhos a reforçar vigilância sanitária; entenda o alarme internacional
Poucos anos após a pandemia de Covid-19, a confirmação de novos casos do vírus Nipah voltou a acender o alerta sanitário internacional. Países asiáticos reforçaram protocolos de saúde em aeroportos, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha de perto a situação, destacando a alta letalidade do vírus, mas avaliando como baixo o risco de disseminação global neste momento.
Os casos mais recentes foram registrados na Índia, com cerca de 110 pessoas estão em quarentena. O estado de Bengala Ocidental é um dos mais afetados, onde pelo menos cinco profissionais de saúde testaram positivo para o vírus.
Diante do cenário, países como Tailândia, Nepal e Taiwan retomaram triagens sanitárias em aeroportos, semelhantes às adotadas durante a pandemia, embora autoridades indianas afirmem que a situação está sob controle.
O vírus e seu histórico
O Nipah é um vírus zoonótico, transmitido de animais, principalmente morcegos frugívoros e porcos, para humanos, podendo também ocorrer transmissão entre pessoas.
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto na Malásia, o vírus Nipah já causou episódios graves em países como Bangladesh e Índia, onde apresenta surtos recorrentes e elevada taxa de mortalidade. Em 2018, na Índia, 21 das 23 pessoas infectadas não resistiram, já nos surtos seguintes, em 2019 e 2021, houve uma queda significativa, com duas pessoas indo a óbito.


Sintomas e tratamento
Segundo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o período de incubação do vírus Nipah varia entre 3 e 14 dias, podendo chegar, em casos raros, a até 45 dias. A infecção pode ser assintomática, mas, na maioria dos casos, provoca febre e sintomas que afetam o sistema nervoso central e o sistema respiratório, como dor de cabeça, confusão mental, dificuldade para respirar e tosse.
O estado mais grave da doença se atinge quando principalmente quando se tem manifestações neurológicas, com evolução para encefalite, edema cerebral, convulsões, coma e óbito em um curto período de tempo. Embora a maioria dos sobreviventes se recupere completamente, cerca de 20% pode apresentar sequelas neurológicas de longo prazo.
Ainda segundo a OMS, não há medicamentos ou vacinas aprovados contra o vírus Nipah. O tratamento é feito com cuidados de suporte intensivos, diagnóstico precoce e manejo de complicações respiratórias e neurológicas.
Medidas e indicativos da OMS
Apesar da preocupação, a Organização Mundial da Saúde informou que não recomenda restrições a viagens ou ao comércio com a Índia, destacando que, até o momento, não há indícios de disseminação internacional sustentada.
Segundo especialistas, o risco maior permanece restrito à Índia e a países vizinhos, onde vivem os principais hospedeiros naturais do vírus. A OMS destaca que a transmissão entre humanos é possível, especialmente em ambientes hospitalares, mas tende a ser limitada.
A entidade reforça que o vírus segue classificado como prioritário, devido ao seu potencial epidêmico e à ausência de vacina ou tratamento específico.
Não há registros de casos no Brasil ou na América Latina, e a orientação segue sendo vigilância, isolamento de contatos e resposta rápida a novos casos.

