Senadora cita igrejas e pastores com requerimentos aprovados pela comissão; líder evangélico reage e cobra nomes
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ambos aliados de Jair Bolsonaro, protagonizaram um novo capítulo de tensão dentro do campo evangélico e político após declarações da parlamentar sobre a presença de igrejas e pastores em investigações conduzidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS).
A entrevista, concedida por Damares ao SBT News no domingo (11), provocou reação imediata do pastor, que acusou a senadora de generalizar sem apresentar nomes e de “lançar suspeitas” sobre o segmento.
Malafaia publicou vídeos e mensagens em suas redes sociais cobrando explicações públicas e ameaçando classificar a conduta de Damares como “acusação leviana”, caso ela não apresentasse os envolvidos. Em tom crítico, chamou a senadora de “linguaruda” e afirmou que sua fala atinge a imagem das igrejas.
SENADORA DAMARES SE CONTRADIZ EM NOTA PUBLICADA HA 1 HORA !
Depois que coloquei um pôster dizendo que ia questionar a senadora por acusações infundadas contra lideres renomados e grandes igrejas , ao não citar nenhum nome em entrevista , ela publica uma nota que tem o nome de 1…— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) January 14, 2026
Diante da cobrança, Damares publicou nota em que afirma não ter revelado fatos inéditos, mas apenas reproduzido informações públicas já presentes nos documentos da comissão. Logo depois, divulgou a lista completa de instituições religiosas e nomes de líderes que constam nos requerimentos aprovados pela CPMI, como quebras de sigilo e convites para depoimentos.
Entre as instituições religiosas mencionadas nos documentos da comissão estão:
- Adoração Church;
- Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
- Deus é Fiel Church (SeteChurch);
- Igreja Evangélica Campo de Anatote — todas alvos de pedidos de quebra de sigilo.
No mesmo material, aparecem como convidados a comparecer à CPMI os pastores Cesar Belucci, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, este último também citado como alvo de quebra de sigilo, assim como André Machado Valadão.
A senadora ressaltou que o fato de constar em requerimentos não implica culpa e que todas as solicitações da comissão foram baseadas em indícios identificados em relatórios de inteligência financeira e dados da Receita Federal. Em nota, ela disse sentir “tristeza” ao ver igrejas entre os nomes listados, mas reforçou que a comissão cumpre uma obrigação constitucional de investigar.
Avanço da comissão
A CPMI do INSS foi instalada para apurar um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos e empréstimos consignados indevidos aplicados contra aposentados e pensionistas em todo o país. Até agora, a comissão já realizou dezenas de sessões, ouviu ex-ministros e analisou milhares de documentos.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já antecipou que pedirá prorrogação dos trabalhos, citando a complexidade do esquema e o volume de dados como justificativa.

