Evento promovido pelo IBI e pela FPPA debate investimentos, logística e caminhos para aumentar a competitividade do país
Autoridades, empresários e especialistas se reuniram nesta segunda-feira (13), em São Paulo, para discutir um dos principais desafios do Brasil: fazer a infraestrutura acompanhar o crescimento da economia.
O 3º Summit Connect Infra, promovido pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e pela Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), consolidou-se como um dos principais fóruns do país voltados ao debate da logística e do setor portuário.
A abertura contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que destacou a importância da infraestrutura para o desenvolvimento.
“Comércio exterior é desenvolvimento. Para isso, precisamos ter boa infraestrutura. Precisamos de planejamento, com segurança jurídica, projetos e parcerias, para melhorar a infraestrutura do nosso país”, afirmou.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, também participou do evento e reforçou o momento vivido pelo setor.
“O Brasil vive um ciclo importante de investimentos em infraestrutura, com forte participação do setor privado. O papel do Ministério é garantir segurança jurídica, estabilidade regulatória e bons projetos”, disse.
Evento conecta governo, mercado e soluções
O encontro reuniu diferentes atores, do poder público à iniciativa privada, com um objetivo em comum: destravar investimentos e melhorar a eficiência logística do país.
Para o deputado federal e presidente da FPPA, Paulo Alexandre Barbosa, o debate é essencial para avançar nas pautas do setor.
“Um debate muito saudável, discutindo as questões nacionais de licenciamento ambiental, simplificação de investimentos. Tudo que nós queremos é com o setor portuário que já contribui muito para alavancar a economia nacional”, afirmou.


Ele lembrou que o setor já movimenta números expressivos.
“Foram 1 bilhão e 400 milhões de toneladas movimentadas no último ano.”
Porto de Santos e competitividade em pauta
Entre os principais temas discutidos estão os investimentos em acessos portuários e a necessidade de melhorar a competitividade do Brasil no comércio exterior.
Para Aquiles Dias, diretor comercial e de novos negócios da Ageo Terminais, o avanço passa por obras estruturantes.
“As abordagens feitas são fundamentais para o desenvolvimento do Porto de Santos e para o aumento da competitividade do país no mercado externo”, explicou.


O Porto de Santos, maior da América Latina, apareceu como peça-chave nesse processo.
Henrique Araújo, diretor de relações institucionais da Copersucar, destacou a importância do complexo portuário.
“80% da produção de açúcar do Brasil é exportada e 75% sai por Santos”, afirmou.


Ele também apontou que o setor já busca soluções mais sustentáveis.
“A gente está desenvolvendo a possibilidade de descarbonização do transporte marítimo pela utilização do etanol.”
Integração e planejamento ainda são desafios
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a falta de integração entre os investimentos ainda é um entrave.
Para Márcio Guiot, diretor de desenvolvimento de novos negócios da JBS, é preciso coordenação entre os projetos.
“É importante que os investimentos de acessibilidade, tanto terrestre quanto aquaviária, aconteçam junto com os investimentos dos terminais”, disse.


Osmari de Castilho, diretor superintendente administrativo da Portonave, reforçou a necessidade de soluções rápidas.
“Temos restrições importantes em acessos rodoviários e aquaviários e precisamos encontrar soluções que não limitem o crescimento do setor”, afirmou.


Planejamento de longo prazo ganha destaque
O debate também trouxe um ponto em comum entre os participantes: a necessidade de planejamento e continuidade.
Para Antônio Carlos Sepúlveda, CEO da Santos Brasil, o alinhamento entre setor público e privado é fundamental.
“Eventos como esse permitem que o capital privado se alinhe com o interesse político. É assim que a gente constrói um país”, disse.


Já Marcel Moure, CEO da Rede Voa e representante da Terracom, destacou que a infraestrutura ainda é um dos principais gargalos do Brasil.
“O país tem desafios importantes em infraestrutura e discutir isso com diferentes setores é essencial para avançar”, afirmou.
Segundo ele, sem planejamento consistente, o país não consegue evoluir.


Caminho passa pelo diálogo
Ao longo do dia, os painéis discutiram temas como acessos aquaviários, Plano Nacional de Logística e grandes obras de transporte.
O consenso entre os participantes é que o Brasil precisa avançar com planejamento, integração e segurança para investir.
E é justamente esse o papel do Summit Connect Infra: colocar todos os atores na mesma mesa para transformar debate em solução.

