A Justiça arquivou o inquérito que investigava o vereador Allisson Sales (PL), em Santos, no litoral de São Paulo, após denúncia feita pela delegada e ex-secretária municipal de Segurança, Raquel Gallinati. Ela alegava ter sido alvo de perseguição após o parlamentar publicar imagens de um veículo descaracterizado utilizado por ela.
Conforme apurado pelo VTV News, a investigação teve início em abril de 2025, quando a então secretária protocolou pedido na Polícia Civil para abertura de inquérito contra o vereador. A medida ocorreu no mesmo dia em que a Câmara discutia um requerimento que pedia a convocação dela para prestar esclarecimentos.
Na ocasião, o vereador havia divulgado, em suas redes sociais, a foto e a placa de uma viatura descaracterizada da Guarda Civil Municipal (GCM). Na publicação, ele questionava o uso do carro e levantava suspeitas de desvio de finalidade em viagens à capital paulista. A alegação repercutiu.
Por sua vez, a secretária, convocada para explicar o uso do veículo, apontou possíveis irregularidades na conduta de Sales. Ela citou, em tese, crimes como violação de segredo funcional, difamação e perseguição, pois, segundo ela, houve tentativas repetidas de exposição pública com informações consideradas inverídicas.
‘Acesso indevido’
Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil e o Ministério Público (MP-SP) já haviam se manifestado pelo arquivamento do inquérito por falta de provas. Ainda assim, a delegada recorreu da decisão, pedindo a revisão do caso. A análise foi feita pelo procurador-geral substituto, que manteve o entendimento no último dia 10.
Apesar do arquivamento, um ponto específico segue em análise: o acesso a dados sobre o trajeto da viatura utilizada pela ex-secretária, obtidos a partir da placa do veículo. Segundo a decisão, consultas a sistemas restritos teriam sido realizadas entre julho de 2024 e abril de 2025.
Esse trecho do caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil, e a apuração deve verificar possível irregularidade no acesso às informações. À imprensa, a defesa de Raquel Gallinati afirmou que pretende adotar as medidas cabíveis e destacou que a decisão reconhece a divulgação de informações obtidas de forma ilícita.
A equipe do vereador foi procurada para comentar essa nova linha de investigação, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. A defesa da ex-secretária também não foi localizada pelo VTV News. O espaço segue aberto para ambos os posicionamentos e, a partir disso, o texto poderá ser atualizado.


O que diz a administração municipal
A Prefeitura de Santos informou que não é parte do processo. Também declarou que Raquel Gallinati foi exonerada, a pedido, do cargo de secretária municipal de Segurança no primeiro semestre de 2025.
Já a Câmara Municipal de Santos afirmou que, até o momento, não foi formalmente notificada sobre os fatos. O órgão também reforçou o compromisso com a legalidade, a transparência e o devido processo legal.

