Julgamento analisa se qualificação técnica justifica nomeação de parentes em cargos políticos ou se proibição deve ser absoluta
O Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu, nesta quarta-feira (15), o julgamento que define se políticos podem nomear parentes para cargos públicos (o chamado nepotismo). A análise foi pausada após o ministro Gilmar Mendes pedir mais tempo para avaliar o processo (pedido de vista), sem previsão de retomada.
Mudança nos votos
O relator do processo, ministro Luiz Fux, alterou seu voto e mudou o entendimento que vinha formando maioria na Corte. Agora, Fux defende a proibição, abrindo exceção apenas se o governo provar formalmente que outras pessoas qualificadas foram convidadas e recusaram a vaga antes da nomeação do parente.
Essa mudança influenciou outros magistrados:
Flávio Dino: Seguiu Fux ao votar contra a nomeação de familiares, mas foi mais rígido. Para ele, a proibição deve ser absoluta, sem as exceções sugeridas pelo relator.
Cármen Lúcia: Acompanhou o entendimento de Dino. A ministra criticou a tradição brasileira de buscar benefícios para familiares no poder e defendeu que o combate ao nepotismo seja total.
O que está em discussão
Atualmente, a regra do STF proíbe a contratação de parentes de até terceiro grau em cargos de confiança e funções gratificadas. O impasse central agora é se essa proibição deve ser estendida também aos cargos políticos, que hoje representam a principal brecha para essas nomeações.
Dessa maneira, o Supremo tenta decidir se a proibição deve valer para todos os cargos, sem distinção:
Se o STF proibir: Governadores e prefeitos ficam impedidos de nomear familiares (como esposas ou irmãos) para suas secretarias.
Se o STF permitir: A prática continua liberada para cargos políticos, desde que o nomeado tenha qualificação técnica e a escolha não configure fraude à lei.

