Sabe aquele famoso Chicão, amor de Cássia Eller, que a cantora carioca cantou que queria “descobrir o mundo junto” e “aprender com o seu pequeno grande coração” na música “1º de Julho” (composição que Renato Russo escreveu especialmente para a sua amiga grávida)? Pois é! Ele cresceu e virou Chico Chico, nome promissor da música popular brasileira atual.
Sobre Francisco Eller, o Chicão
Francisco Eller – o Chicão -nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1993, ou seja, há exatos 32 anos, fruto de um relacionamento casual de Cássia Eller com o amigo e baixista de sua banda, Tavinho Fialho.
Tavinho sofreu um acidente de carro e faleceu dias antes do filho nascer. Nessa época, Cássia já vivia um relacionamento estável com a sua companheira de uma vida, Maria Eugênia, que assumiu a maternidade de Chicão junto com Cássia.
Depois da morte de Cássia Eller, Maria Eugênia lutou na justiça – contra o pai da cantora – pela guarda do filho, e ganhou a causa, tornando-se o primeiro caso do tipo na justiça brasileira e abraçando uma causa importantíssima.

Cássia, antes de morrer – inesperadamente, aos 39 anos, vítima de um infarto do miocárdio, quando Francisco tinha apenas oito anos – disse em entrevista que pretendia casar com Maria Eugênia, com quem vivia há 14 anos, quando o projeto de lei de reconhecimento da união civil entre homossexuais fosse aceito no Congresso Nacional. Pena que não deu tempo, mas as duas já consideravam-se casadas.
O nome de Chicão foi escolhido por Cássia depois que ela escutou uma canção instrumental de Milton Nascimento chamada “Francisco”, que traz belíssimos improvisos vocais e vocalises de Milton.
Cássia se apaixonou pela canção e depois a gravou como participação especial no disco do guitarrista Nelson Faria, “Ioiô”, também de 1993, com vocalises tão incríveis quanto os de Bituca. Tempos depois, ela contou para Milton que tinha escolhido o nome de seu filho por conta da canção.
Chicão virou Chico Chico e ganhou o Brasil
Chicão – que acompanhou a mãe em muitos shows e palcos quando criança – hoje tornou-se um cantor, músico e compositor brilhante e se apresenta como Chico Chico.
Ainda criança, ele aprendeu a tocar percussão e também pandeiro (com a percussionista da banda de sua mãe e amiga de Cássia, a Lan Lanh), e em 2001 – então com 7 anos – participou da apresentação histórica de Cássia no Rock In Rio III, para um público de cerca de 200 mil pessoas, com um show que mostrou toda a sua versatilidade e atitude, ao misturar rock’n roll com samba, baião e MPB.
Cássia atendeu a um pedido do filho para que ela incluísse a canção “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, no repertório do show do festival. Chicão tocou percussão na música e ganhou seu primeiro cachê de 20 reais, dados pela mãe.
Depois disso, Chico Chico estudou outros instrumentos e passou a compor, até que começou a cantar em bandas cariocas. Em 2015, lançou seu primeiro álbum com músicas autorais com a banda 2×0 Vargem Alta.
Fez participações em discos e shows de outros artistas e, em 2020, lançou o álbum “Onde?”, em parceria com Francisco Gil, o Fran, neto de Gilberto Gil, filho de Preta Gile integrante da banda Gilsons. No início de 2021, lançou um álbum em parceria com João Mantuano, em que a faixa “A Cidade” foi indicada ao Grammy Latino de “Melhor Canção em Língua Portuguesa”.
Carreira consolidada
Seu primeiro álbum solo, “Pomares”, foi lançado no final do mesmo ano. O álbum conta com um dueto de Chico Chico com a mãe Maria Eugênia, na faixa “Mãe”, uma homenagem do cantor às suas duas mães.
Ouvir Chico Chico nos dá um afago no coração: sua voz, seu timbre e seu jeito de cantar são muito parecidos com os de Cássia, claro, “é o mesmo DNA”, como ele mesmo diz. Mas, ao mesmo tempo, Chico Chico nos mostra o artista completo que é, dono de uma personalidade única, uma identidade formada pelos encontros musicais que teve ao longo da vida e uma sensibilidade artística que impressiona.
Depois de “Pomares”, ele gravou o álbum “Chico Chico ao Vivo na Macaco Sessions”, em 2022 e, seu segundo álbum solo de estúdio, “Estopim”, foi lançado em 2024, com a participação de Juliana Linhares, Júlia Vargas e Tui Lana.
Recentemente, o artista gravou uma faixa em que canta ao lado da mãe, graças à tecnologia: “Eles”, foi lançada originalmente por Cássia Eller no seu álbum “O Marginal”, de 1992. A música é – inclusive – uma das poucas composições da grande intérprete Cássia (uma parceria com Tavinho Fialho e Luiz Pinheiro).
Na nova versão, Francisco e a mãe dividem os vocais com Zélia Duncan e Julinha Linhares.
Mais recentemente ainda, Chicão quebrou a internet, ao interpretar uma versão de “Menino Bonito”, composição de Rita Lee, no programa Altas Horas, da Rede Globo.

