Um dos encontros mais emblemáticos da história da música popular brasileira, que gerou clássicos icônicos como: “Gita”, “Sociedade Alternativa” e “Medo da Chuva”. Você sabe de quem estamos falando? Sim! A parceria inesquecível entre Raul Seixas e Paulo Coelho!
O encontro do “Pai do Rock Nacional” com o “Mago” da literatura
Baiano de Salvador, fã de Elvis Presley, Little Richard e Luiz Gonzaga, Raul Seixas foi com sua banda “Os Panteras” tentar a vida como músico no Rio de Janeiro no fim dos anos 60.
Muita coisa aconteceu – ele chegou a passar fome na cidade maravilhosa, tocou como banda de apoio de astros da Jovem Guarda e foi produtor de outros artistas na gravadora CBS – até que sua genialidade fosse finalmente reconhecida como única!
Foi em 1972, quando apresentou a clássica “Let Me Sing, Let Me Sing” (genial mistura de rock e baião) no VII Festival Internacional da Canção, que obteve sucesso de crítica e de público, alcançando o auge do seu sucesso pouco tempo depois.
Em 1973, Raul Seixas lançou seu primeiro disco solo, “Krig-Ha, Bandolo!” e é nesta época que começou o interesse do cantor por extraterrestres, que – depois – refletiu-se em muitas de suas obras e em parceria com o escritor e compositor Paulo Coelho, que tem início neste primeiro disco.
Vamos relembrar 7 parcerias inesquecíveis de Raul Seixas e Paulo Coelho?

1 – Al Capone (1973)
A primeira parceria inesquecível de Raul e Paulo a ser gravada em disco é justamente “Al Capone”, no primeiro álbum do roqueiro baiano, em 1973.
A música é uma crítica social repleta de ironia e referências históricas, como era comum nas canções da dupla. Por meio de uma melodia e batida cativante, Raul traz à tona a figura de Al Capone, o famoso gângster americano, para discutir a impunidade e as falhas no sistema de justiça.
Além de Al Capone, Raul e Paulo mencionam outras figuras históricas e culturais, como Júlio César, Lampião e Jimi Hendrix, ou até figuras sagradas como Jesus Cristo, cada um enfrentando um destino irônico ou injusto, que contrasta com suas realizações ou reputações.
Um convite à reflexão sobre a história, a sociedade e a natureza humana.
2 – Sociedade Alternativa (1974)
Em 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho lançaram a “Sociedade Alternativa” – movimento espiritual que tinha até sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais – e baseava-se nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, um membro da “Ordem Hermética da Aurora Dourada”, sociedade secreta surgida na Inglaterra, em 1888, que reunia várias vertentes do esoterismo. O influente ocultista (como é conhecido quem tem conhecimento do oculto ou do paranormal) foi responsável pela fundação de uma doutrina ou filosofia, que batizou de “Thelema”.
Basicamente, a ideia de Raul e Paulo era criar uma comunidade “thelêmica” no Brasil, onde a lei seguia os preceitos de “O Livro da Lei”, de Crowley, que diz: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”, como diria também a canção “Sociedade Alternativa”, outro dos maiores sucessos de Raul Seixas e Paulo Coelho, lançado no álbum “Gita”, de 1974.
3 – Gita (1974)
Por conta da “Sociedade Alternativa”, Raul e Coelho tiveram muitos problemas com a censura, que acreditava que suas letras eram subversivas e um movimento revolucionário contra o governo. Os dois foram presos pelo DOPS, torturados e obrigados a se exilar nos Estados Unidos, onde ficaram por pouco tempo, pois o sucesso de “Gita” – próximo disco de Raul, que havia sido gravado meses antes – foi tanto, que eles voltaram aclamados ao país.
4 – Medo da Chuva (1974)
Outro imenso sucesso do mesmo álbum “Gita” – de Raul Seixas e Paulo Coelho em parceria – é o clássico “Medo da Chuva”.
A letra é uma espécie de “Manifesto contra a Monogamia” e Raul e Paulo são parceiros não só na letra, como na melodia. Aliás, é a única melodia que o Paulo Coelho compôs na vida, o que é algo notável já que ele não toca instrumento nenhum.
A música foi feita em um dia em que o escritor pegou muita chuva voltando para casa, e começou a pensar e cantarolar o verso: ‘Eu perdi o meu medo da chuva’. Ele passou a refletir então sobre um assunto que o afligia especialmente naquele momento, em que vivia uma crise com sua esposa Adalgisa: a fidelidade.
A mesma crise afetava o casamento de seu amigo Raul com Edith – sua primeira esposa – naquele momento. A letra mistura um pouco dos livros que Paulo andava lendo, como “O Casamento do Céu e do Inferno”, de William Blake, que o fazia desconstruir alguns mitos criados pela Igreja Católica, e também a liberdade de atos pregada por Aleyster Crowley.
5 – Tente Outra Vez (1975)
Em 1975, foi a vez do disco “Novo Aeon”, com a épica balada rock “Tente Outra Vez”, mais uma parceria inesquecível de
Neste álbum, entra mais um parceiro para somar nas composições inesquecíveis de Raul Seixas e Paulo Coelho: Marcelo Motta.
Marcelo era um importante divulgador da obra de Aleister Crowley, um cara proeminente nas sociedades esotéricas, como um mestre para Raul e Paulo.
Paulo Coelho estava com trauma por causa da prisão, exílio e tortura, e não queria chamar atenção da censura, por isso, deu uma amenizada nessa letra, que antes fazia muitas referências a esses conceitos mais do ocultismo.
Eles também estão falando sobre a situação do país e do mundo que era difícil por causa da crise do petróleo.
O impacto que essa música tem na vida das pessoas é impressionante: pessoas que estavam perto do suicídio, desistiram por conta de “Tente Outra Vez”.
6 – A Maçã (1975)
O mesmo álbum de 1975 também conta com outro sucesso de Raul, Paulo e Motta: “A Maçã”.
A canção, cujo tema é a liberdade sexual, é rica em referências ao misticismo de Aleister Crowley, ao qual Raul e seus parceiros estavam profundamente ligados na época.
O cantor baiano utiliza-se da maçã como metáfora do fruto proibido, referindo-se, também, ao órgão sexual feminino. Assim, Raul discute a liberdade sexual, fazendo um contraponto entre a moral burguesa e cristã e o ciúme.
“A Maçã” critica o sentimento de posse no amor romântico e prega um amor livre e consciente da liberdade do outro.
Este disco traz menos simbologias e misticismo nas letras, que passam a refletir mais os problemas do cotidiano.
7 – Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás (1976)
Em 1976, Raul lançou o álbum “Há 10 Mil Anos Atrás”, em que volta ao seu misticismo clássico e que – além do grande sucesso “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás” – conta com outras canções em parceria com Paulo Coelho.
A canção é um rock estilizado com pitadas de música country e o título, tema e letra da música são inspirados em uma canção gravada por Elvis Presley, ídolo de Raul, em seu álbum “Elvis Now”, de 1972. A canção chama-se “I Was Born About Ten Thousand Years Ago” e foi adaptada e arranjada por Elvis, já que se trata de uma canção tradicional, de domínio público.
Raul e Paulo fizeram diversas modificações na letra e ampliaram as ideias da canção original que se utiliza somente de temas bíblicos. A versão da dupla de brasileiros expande para citar outras religiões, acontecimentos históricos recentes e até contos de fadas.
Saiba tudo sobre a parceria de Raul Seixas e Paulo Coelho e também sobre a trajetória de Raul no nosso Arquivo Novabrasil especial sobre o roqueiro.

