No Brasil, o último caso confirmado da peste negra em humanos ocorreu em 2005, no município de Pedra Branca, no Ceará.
Um morador de South Lake Tahoe, na Califórnia, foi diagnosticado com peste bubônica após acampar em uma região de altitude no Condado de El Dorado, confirmou nesta terça-feira (19) o Departamento de Saúde Pública do estado. O homem está em casa, sob cuidados médicos, e apresenta quadro de recuperação.
As autoridades suspeitam que a infecção tenha ocorrido após a picada de uma pulga contaminada com a Yersinia pestis, bactéria causadora da peste. A transmissão é comum em áreas onde há circulação de roedores silvestres, como esquilos e marmotas. O caso está em investigação.
Doença milenar ainda persiste
Embora o nome evoque o imaginário trágico da Idade Média — quando dizimou milhões entre Europa, Ásia e África —, a peste negra ainda ocorre, mesmo que raramente, em territórios específicos dos Estados Unidos. Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), a bactéria chegou ao país em 1900, trazida por navios infestados de ratos. A última epidemia urbana foi registrada entre 1924 e 1925, em Los Angeles.
Atualmente, o microrganismo sobrevive em populações de roedores rurais no Oeste americano. Só no Condado de El Dorado, entre 2021 e 2024, 41 esquilos apresentaram evidências de exposição à bactéria. Em 2025, mais quatro animais testaram positivo.
A forma de contágio mais comum é a picada de pulgas infectadas, mas cães e gatos também podem atuar como vetores indiretos, carregando os insetos para dentro das residências.

Sintomas e precauções
A peste bubônica provoca febre, náusea, fraqueza e ínguas — nome popular para linfonodos inchados. Embora a letalidade seja significativamente menor que nos tempos medievais, a infecção ainda exige atenção. Se diagnosticada precocemente, o tratamento com antibióticos costuma ser eficaz.
“A peste está naturalmente presente em muitas partes da Califórnia. Por isso, é fundamental que as pessoas tomem precauções ao circular em ambientes com roedores, especialmente durante caminhadas, trilhas ou acampamentos”, alertou Kyle Fliflet, diretor interino de Saúde Pública de El Dorado.
A orientação das autoridades é: evitar o contato direto com roedores, impedir que animais domésticos se aproximem de tocas e usar repelentes apropriados em regiões de risco.
Casos recentes e contexto brasileiro
Antes do episódio atual, o último caso humano no Condado de El Dorado havia sido registrado em 2020, também em South Lake Tahoe. Em 2015, duas pessoas contraíram a doença após exposição a roedores infectados no Parque Nacional de Yosemite. Ambas foram tratadas com sucesso. Desde 2000, os Estados Unidos registram em média menos de 10 casos por ano. No Brasil, o último caso confirmado em humanos ocorreu em 2005, no município de Pedra Branca, no Ceará.

