No sábado 13 de dezembro – seria o dia do aniversário de uma das maiores lendas da música popular brasileira de todos os tempos: Luiz Gonzaga, nosso eterno Gonzagão. Mas você sabe por que ele é considerado um dos nomes mais importantes da história do país por sua contribuição memorável para a nossa cultura?
Hoje, vamos te explicar como Luiz Gonzaga transformou para sempre a música brasileira ao criar um novo ritmo musical e tornar-se o “Rei do Baião”.
O Rei do Baião
Pernambucano de Exu, cidade do sertão do estado, Luiz Gonzaga fez o que nenhum artista nunca tinha feito na história: sintetizou como ninguém os ritmos nordestinos, por meio de uma releitura da cultura popular, que resultou na criação do Baião. O gênero musical atingiu o auge do sucesso nas décadas de 40 e 50, levando – para sempre – a cultura musical nordestina ao Brasil inteiro e também ao mundo.
Por isso, o cantor, compositor e instrumentista ficou conhecido como o Rei do Baião. Além do baião, ele também apresentou ao mundo todo o xote, o xaxado e o forró pé de serra.
Luiz Gonzaga tocava sanfona, zabumba e triângulo e classificava esse como o conjunto básico dos cantores de baião. A sanfona tem a função harmônica e melódica, a zabumba forma a base rítmica – marcando o tempo – e o triângulo, o contratempo.
Em suas composições, apresentou o sertão nordestino ao mundo, descrevendo as injustiças, a fome, a seca e a pobreza daquela região, mas também a alegria, a dedicação ao trabalho, a bravura, a beleza e a coragem do povo nordestino.
Contando sobre o amor de um povo por sua terra (e a saudade que esse povo sente ao ter que deixá-la para tentar uma vida com mais oportunidades e menos aridez), Luiz Gonzaga conta também histórias de amor, sempre aliadas a importantes críticas sociais.
Como ele mesmo declarou em uma entrevista, pouco antes de sua morte: “Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor”.
O Rei do Baião influenciou uma geração inteira de artistas da música popular brasileira, é referência nos principais movimentos musicais da história do nosso país e – com sua sanfona e sua simpatia – tornou-se um grande herói do povo nordestino.
Em 50 anos de carreira, Gonzagão gravou mais de 50 discos e compôs mais de 500 canções. Segundo ele mesmo, seu sucesso se deu ao fato de ter sido sempre muito pobre e, por isso, tudo o que fazia tinha sempre um destinatário: a pobreza.
“Eu trato o pobre bem, eu trato o pobre com amor. As histórias que eu conto sobre os pobres são todas com respeito e originalidade. E o nordestino era tão pobre e ainda o é. O povo nordestino, sendo um povo espirituoso, cheio de graça, não tinha quem cultivasse a sua graça. Então, a graça dele era uma graça sem graça. Aí, eu comecei a decantar o nordestino com respeito, com amor, com a alma.”.
Uma trajetória de sucesso
O maior sucesso da carreira de Luiz Gonzaga é exatamente um grande hino do nordeste brasileiro, inspirado no repertório de tradição oral nordestina.
Regravada por uma infinidade de nomes da nossa música, foi a primeira parceria com o poeta e advogado cearense Humberto Teixeira: os dois começaram a compor a música no dia em que se conheceram, em meados de 1940, embora só a tenham lançado em 1947.
“Asa Branca” fala com muita sutileza de um problema muito sério: a seca do sertão. A forma como descreve as paisagens, a sazonalidade e os animais rendeu a Luiz Gonzaga o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Outra das primeiras parcerias com Humberto Teixeira, foi a canção “No Meu Pé de Serra”, também lançada por Luiz Gonzaga em 1947, e bastante nostálgica, faz referência à saudade da vida no sertão – que Gonzagão deixou aos 18 anos, para primeiro servir o exército em Fortaleza e depois mudar-se para Minas Gerais e então para o Rio de Janeiro, onde começou a carreira artística e tornou-se finalmente conhecido.
Gonzagão já tentava há tempos arranjar um letrista constante para as melodias que carregava na memória: “Eu quero cantar as coisas da minha terra e preciso de alguém que me ajude a decantar a vida da minha gente”, dizia o sanfoneiro.
E encontrou um parceiro e tanto! Foi ao lado de Humberto Teixeira que ele compôs também a música “Baião“, que leva o nome e apresenta o gênero musical que os dois compositores ajudaram a criar e a consolidar no Brasil inteiro (Teixeira, inclusive, recebeu o apelido de “Doutor do Baião”).
A música foi gravada em1946, pelo conjunto “Quatro Ases e um Coringa” – acompanhado pela sanfona de Luiz Gonzaga.
Com Humberto Teixeira, Gonzagão compôs mais inúmeros sucessos, como por exemplo: “Qui Nem Jiló” (1950), outro hino nacional do Nordeste; “Assum Preto” e “Respeita Januário”(1952, em homenagem ao pai de Luiz Gonzaga, Seu Januário, que tocava e consertava sanfona. Foi com o pai queo artista aprendeu os primeiros acordes do instrumento com o qual seria consagrado no Brasil inteiro.
Outras músicas de muito sucesso do “Rei do Baião” são:
- “Vem Morena” (1950); “Sabiá” (1951); “O Xote das Meninas” e “São João na Roça”, todas parcerias com Zé Dantas (1958)
- “Olha Pro Céu” (1958), parceria com José Fernandes.
Dia Nacional do Forró
Luiz Gonzaga é tão importante que – desde 2005 – no dia de hoje, seu aniversário, também é celebrado o Dia Nacional do Forró!
A data oficial foi instituída por iniciativa da então deputada federal Luiza Erundina, autora do projeto de lei.
O nome Forró é usado para nomear um grupo de estilos musicais de origem nordestina, criados e disseminados Brasil afora lá no início dos anos 50, do qual fazem parte o baião, o xaxado, o chamego, o coco, o xote e o pé-de-serra.
O responsável por essa disseminação do Forró no Brasil Luiz Gonzaga. Uma das primeiras gravações de Forró que se tem registro é o “Forró de Mané Vito”, de Gonzagão e Zé Dantas, em 1949. Já em 1958, explodiu a sua canção “Forró no Escuro”.
Com o tempo, o Forró foi ganhando espaço em todas as regiões do país e os músicos e bandas foram incorporando outros instrumentos ao gênero, como guitarra, bateria e baixo.
Embora muitos defendam a ideia de que o nome Forró vem da expressão em inglês “for all” (para todos), abrasileirada para se dizer que é uma “festa para todos”, estudiosos afirmam que a palavra deriva de “Forrobodó”, variante do vocábulo galego-português “Forbodó”, que quer dizer “baile popular” ou “festança”.
Luiz Gonzaga deixou um imenso legado para diversos artistas que vieram depois e mas e que são importantíssimos para a consolidação do Forró em nossa música popular brasileira, como Dominguinhos, Anastácia(considerada a Rainha do Forró), Jackson do Pandeiro, Almira Castilho, Marinês (conhecida como Rainha do Xaxado),Elba Ramalho, Sivuca, Genival Lacerda,Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Trio Nordestino, Trio Virgulino, ou mesmo as bandas de forró universitário, nascido nos anos 90, comoFalamansa, Bicho de Pé e Rastapé, e artistas mais contemporâneos como Zeca Baleiro,Mariana Aydar e Juliana Linhares.

