Estudos da FAO e da Embrapa mostram que manejo e nutrição são decisivos para reduzir desperdícios e aumentar a sustentabilidade no campo
A busca por maior eficiência no uso de recursos naturais tem ganhado espaço na produção animal, especialmente em relação à água, insumo essencial para o setor. Mais do que o consumo direto nas propriedades, o debate envolve também o uso indireto ao longo de toda a cadeia produtiva, o que amplia a importância de estratégias que aumentem a eficiência dos sistemas.
Há uma quantidade significativa de água envolvida na produção de insumos e na eficiência do sistema como um todo, o que reforça a necessidade de práticas mais precisas. Dados da FAO indicam que a agropecuária responde por cerca de 70% do uso global de água doce, mas também apontam potencial relevante de economia com tecnologia e manejo.
Esse potencial já é observado em estudos conduzidos pela própria FAO, que indicam que melhorias em manejo e nutrição podem reduzir o uso de água em até 20% a 30% em sistemas pecuários mais eficientes. No Brasil, levantamentos da Embrapa mostram que práticas como manejo adequado de bebedouros, redução de desperdícios e ajuste nutricional podem gerar economia próxima de 25% no consumo hídrico em propriedades rurais.
Nesse contexto, a nutrição animal tem papel central. Formulações mais ajustadas e tecnologias nutricionais contribuem para melhorar a digestibilidade dos alimentos e a conversão alimentar, reduzindo a demanda por recursos. Com melhor aproveitamento dos nutrientes, diminui-se a necessidade de insumos para produzir o mesmo volume — o que impacta diretamente o uso de água ao longo da cadeia.
A eficiência alimentar também reduz a excreção de nutrientes, o que ajuda a minimizar impactos ambientais, inclusive sobre solo e água. Além disso, a qualidade da água nas propriedades influencia diretamente o consumo de ração, a saúde e o desempenho dos animais, conforme análises da Embrapa.
O desafio, no entanto, é crescente. Projeções da United Nations indicam que, até 2050, a demanda global por alimentos deve crescer cerca de 50%, enquanto a disponibilidade de água doce tende a se tornar mais limitada, especialmente em regiões já vulneráveis. Sem mudanças consistentes, a pressão sobre os recursos hídricos pode comprometer produtividade e elevar custos no campo.
Estimativas do World ResourcesInstitute reforçam esse cenário ao indicar que mais da metade da população mundial poderá viver sob condições de estresse hídrico severo nas próximas décadas, o que amplia a responsabilidade do agro na adoção de práticas mais eficientes.
Diante desse cenário, algumas medidas se destacam por sua simplicidade e impacto direto:
- Gestão eficiente da água nas propriedades: manutenção de bebedouros, controle de vazamentos e monitoramento do consumo;
- Ajuste fino da nutrição animal: melhora da conversão alimentar, reduzindo o uso indireto de água na produção de insumos;
- Uso de tecnologias de precisão: sensores, automação e análise de dados para evitar desperdícios e otimizar recursos;
- Captação e reaproveitamento de água: uso de água de chuva e reuso em atividades secundárias.
O avanço dessas práticas está alinhado à agenda climática global. Sistemas mais eficientes não apenas reduzem o consumo de água, como também contribuem para a diminuição das emissões e para a sustentabilidade da produção.
No fim das contas, a equação é clara: produzir mais com menos deixou de ser tendência e passou a ser exigência. E, nesse cenário, a eficiência hídrica se consolida como um dos pilares da produção animal moderna.

