Interrogatórios conduzidos pela PF avaliam se operação de venda de carteiras de crédito teve participação de dirigentes com foro privilegiado
A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (30), os interrogatórios para apurar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Após mais de três horas, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Master, foi o primeiro a prestar depoimento na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), onde permaneceu por cerca de três horas acompanhado de um advogado. A oitiva ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, após indícios de participação de um parlamentar com prerrogativa de foro.
Na sequência, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, passou a ser ouvido. O terceiro e último a ser interrogado é o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. A delegada da PF Janaína Palazzo, responsável pela investigação, conduz os depoimentos individualmente e avalia a possibilidade de uma acareação entre os envolvidos, caso surjam contradições relevantes.
A apuração teve origem em uma denúncia de que o Banco Master teria ofertado carteiras fictícias de crédito consignado no valor de R$ 12,2 bilhões ao BRB, sem que houvesse a devida diligência na análise dos ativos. Segundo o relatório da PF, a operação teria sido montada com o propósito de salvar financeiramente o Master, numa ação que configuraria crime contra o sistema financeiro nacional.
Documento apreendido levou caso ao STF
A investigação migrou da 10.ª Vara Federal de Brasília para o STF após a apreensão de um documento com o nome de um deputado federal durante busca realizada com Vorcaro. O empresário havia sido preso em 17 de novembro, mas foi solto doze dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), sob imposição de uso de tornozeleira eletrônica.
Além disso, o Ministro Dias Toffoli havia marcado uma acareação entre o Master e o BRB, o que atiçou a opinião pública, principalmente após ser revelado que o mesmo estava em um voo particular com o advogado que representa o Master. Toffoli recuou, e determinou que a PF realizasse os interrogatórios.
Ainda não há confirmação oficial sobre o desdobramento final dos depoimentos ou sobre eventual acareação. A delegada federal segue responsável por deliberar os próximos passos.
Conforme o andamento da apuração, a Polícia Federal deverá decidir se há elementos suficientes para implicar formalmente os dirigentes ou se outras diligências serão necessárias.

