O vácuo de Poder na Venezuela é um dos grandes entraves desde a operação que prendeu o ditador Nicolás Maduro. Após recuar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou afirmar nesta segunda-feira (5) que é ele quem está no comando da Venezuela.
A fala foi feita dois dias após a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram detidos sob acusação de narcoterrorismo e levados ao território norte-americano.
Em entrevista à NBC News, Trump revelou que o controle provisório da capital Caracas está sendo exercido por quatro integrantes do alto escalão da Casa Branca: o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete Stephen Miller, e o vice-presidente JD Vance. Questionado sobre quem, de fato, governa o país latino-americano, o presidente norte-americano foi categórico: “Eu”.
Disputa pelo poder e reações internas
A declaração reacende incertezas sobre quem exerce de fato a autoridade no país, ou se a constituição venezuelana está em voga ou não. Na tarde de segunda-feira (5), a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu simbolicamente o posto de presidente interina da Venezuela, durante cerimônia realizada na Assembleia Nacional.
Em discurso marcado por tom de resistência, afirmou que tomou posse “com dor pelo sofrimento imposto ao povo venezuelano”, que atribuiu diretamente à ofensiva militar dos Estados Unidos.

“Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos da América: o presidente Nicolás Maduro e a combatente principal, primeira-dama deste país, Cilia Flores. Venho com dor, mas devo dizer que venho também com honra para jurar em nome de todos os venezuelanos e de todas as venezuelanas”, declarou Rodríguez, que invocou Simón Bolívar ao assumir o cargo.
A nova chefe de governo interina também divulgou uma carta aberta dirigida à Casa Branca, propondo uma agenda de cooperação baseada na soberania dos Estados e na não interferência nos assuntos internos. A medida foi interpretada como resposta direta à ameaça feita por Trump, que afirmou que Rodríguez “pagaria um preço ainda maior que Maduro” caso se recusasse a cooperar com os Estados Unidos.
Enquanto isso, setores da oposição venezuelana pressionam para que Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha e autodeclarado vencedor das eleições presidenciais de 2024, assuma a chefia do Executivo. Ele foi acusado de conspiração e falsificação de documentos após divulgar atas que indicariam sua vitória sobre Maduro.
Detenção e acusações contra Maduro
Maduro e Cilia Flores foram capturados na madrugada do último sábado (3), enquanto dormiam em um abrigo no interior da Venezuela. A operação foi conduzida por militares dos EUA, que os transportaram de helicóptero até o navio de guerra USS Iwo Jima, posicionado no mar do Caribe. De lá, seguiram para Nova York, onde o ex-presidente venezuelano foi formalmente indiciado pela Justiça norte-americana.
Maduro é acusado de conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de metralhadoras e explosivos, além de conspiração contra os Estados Unidos. Ele se declarou inocente em todos os pontos da acusação durante audiência realizada na segunda-feira.
Além do casal, outras cinco pessoas foram indiciadas no mesmo processo:
- O filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como Nicolasito;
- O ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello;
- O ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín;
- Héctor Rusthenford Guerrero Flores, chamado de Niño Guerrero, figura central nas denúncias de articulação paramilitar.
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