A longevidade da Marie Claire tem a ver com nossa combinação editorial. Desde que chegou ao Brasil, em 1991, a revista se propôs a falar abertamente sobre assuntos que muitas vezes eram tratados com silêncio ou superficialidade — casamento, maternidade, saúde, sexo, desigualdade, poder, comportamento — sempre ao lado de moda e beleza. Esse pacto entre inteligência, sensibilidade e relevância é o que mantém a marca viva há 35 anos.
Quais são as principais diferenças do público brasileiro em comparação aos leitores de outros países?
A brasileira quer informação, mas também quer identificação, repertório, serviço, conversa e posicionamento. No Brasil, moda e beleza nunca estiveram dissociadas de mobilidade social, autoestima, identidade e pertencimento. Por isso, nossa audiência costuma gostar da nossa abordagem no enfoque das pautas, que combina, de uma forma muito particular, matérias de serviço e comportamento, com histórias emocionantes de leitoras, notícias de moda e beleza e temas de interesse das mulheres. É um público muito atento a comportamento, direitos, representatividade.
O perfil das mulheres mudou nos últimos anos? Como a marca tem se adaptado a essas transformações?
O mundo mudou! E a mulher de hoje está menos disposta a aceitar papéis prontos e mais interessada em autonomia, saúde mental, carreira, dinheiro, longevidade, prazer, diversidade de corpos, de trajetórias e de escolhas. A Marie Claire se adaptou ampliando seus temas, aprofundando a cobertura de bem-estar, saúde, comportamento, direitos e carreira, sem abrir mão de moda, beleza e cultura. A marca também se tornou totalmente multiplataforma e mais atenta à velocidade com que essas conversas se deslocam entre impresso, site, vídeo, redes e eventos.
Quais são os números de venda em banca, assinaturas e audiência digital?
Cerca de 50 mil exemplares de circulação, 9 milhões de visitantes únicos por mês, em média no nosso site, além de forte presença em redes sócias, que somam mais de 2 milhões de seguidores.
Em quais outras plataformas a Marie Claire atua atualmente?
Além da revista, atua em site, newsletter, redes sociais, e aparece também no ecossistema digital da Globo, como o Globo+.
Como você enxerga o mercado editorial hoje, especialmente os desafios das vendas em banca?
O mercado editorial vive uma transição longa e complexa. As bancas perderam capilaridade, o hábito de compra por impulso diminuiu e a disputa pela atenção é brutal. Ao mesmo tempo, o excesso digital criou uma nova valorização do papel como objeto de permanência, curadoria e desejo. Eu vejo o impresso hoje menos como um produto de volume e mais como um ativo de marca, prestígio e experiência. É por isso que, para nós, uma edição impressa forte segue tendo valor editorial e comercial.
A marca atua com cursos, eventos ou outras frentes? Qual é hoje a principal fonte de
receita?
A marca atua, sim, em outras frentes, sobretudo eventos e projetos especiais. Temos um calendário de talks, especiais temáticos e iniciativas como o Festival Marie Claire. Hoje, esse braço de experiências e branded content é central para a força da marca. Em revistas de lifestyle premium, a receita tende a vir da combinação entre publicidade, projetos customizados, eventos, parcerias e produtos editoriais; no caso da Marie Claire, essas
frentes são cada vez mais estratégicas.
Qual é o perfil dos anunciantes? Há parceiros de longa data que acompanham a revista há anos?
Historicamente, a Marie Claire atrai anunciantes ligados a moda, beleza, luxo, cuidado pessoal, saúde, consumo premium e serviços que dialogam com mulheres de poder de decisão. Mais do que volume, o que buscamos é afinidade de valores. Sim, existem marcas que acompanham a revista há muitos anos, especialmente nos universos de beleza e moda, porque entendem que a Marie Claire entrega não apenas audiência, mas contexto,
credibilidade e associação simbólica.
Qual o percentual de conteúdo produzido no Brasil versus material traduzido?
Hoje a espinha dorsal da operação brasileira é conteúdo produzido no Brasil. Eventualmente há intercâmbio internacional, imagens e conteúdos de rede, mas o que define a relevância da Marie Claire Brasil é justamente a leitura autoral que fazemos do país e das transformações das mulheres daqui.
Como está o desempenho global da revista? Em quais países está presente e qual a posição da edição brasileira em comparação às demais?
Globalmente, a Marie Claire segue sendo uma das marcas femininas mais reconhecidas do mundo. A rede internacional lista atualmente 32 mercados, entre eles França, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha, Japão, China, México, Brasil, Coreia, Ucrânia e Vietnã. A edição brasileira ocupa um lugar muito respeitado dentro dessa rede porque combina um histórico forte de jornalismo com uma leitura cultural muito própria e um
mercado publicitário relevante para moda e beleza.
Quais são os planos para o futuro próximo?
Nosso futuro passa por aprofundar o que sempre foi o nosso diferencial: jornalismo autoral para mulheres. Isso significa fortalecer a operação multiplataforma, investir em vídeo e formatos mais nativos das redes, ampliar eventos e experiências presenciais, e seguir defendendo um conteúdo que una desejo, inteligência e interesse público.

