Após o prefeito questionar o envio de pacientes vicentinos às unidades locais, a crise política se estendeu à gestão anterior de Praia Grande, com Raquel Chini rebatendo críticas
Uma declaração recente do prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, acendeu um debate acalorado sobre o fluxo de pacientes na Baixada Santista. Mourão criticou publicamente a vinda de moradores de São Vicente para as unidades de saúde da cidade praiagrandense, o que gerou imediata repercussão negativa nas redes sociais.
Durante sua fala, Mourão alegou que transferências estariam sendo feitas de forma direta para o Pronto Socorro de Praia Grande: “Estavam transferindo pessoas que estavam em leitos de São Vicente e colocando no Pronto Socorro daqui. Se o prefeito falar que isso é mentira, eu provo”, afirmou.
O prefeito chegou a citar o exemplo de uma criança em estado crítico que teria sido enviada ao município, questionando a gestão hospitalar da cidade vizinha.
Kayo Amado rebateu nas redes sociais
Em resposta, o prefeito vicentino Kayo Amado utilizou as redes sociais para rebater as críticas. Amado explicou que Praia Grande atua como referência regional e, por isso, recebe verbas do Governo do Estado para custear esses atendimentos.
“O Estado paga para o município receber pessoas da região. Essa criança foi encaminhada via CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), que é o sistema estadual oficial de transferências”, esclareceu Amado, reforçando que o processo segue protocolos técnicos, e não políticos.
Além disso, São Vicente reforçou em nota que o município vizinho solicitou no começo do ano, um empréstimo de equipamentos e que estas ações ocorrem de forma colaborativa e que sempre estarão disponíveis para auxiliar as cidades da região.
“As solicitações são feitas após conversas entre os secretários de saúde, sendo posteriormente formalizadas com a documentação necessária, sempre seguindo o rito legal e a cooperação entre os municípios. Trabalhamos em conjunto com todos os municípios da Baixada Santista para que não ocorra desassistência à população, especialmente em momentos críticos. A prioridade é sempre garantir o acesso contínuo e adequado aos serviços de saúde, minimizando os impactos e atendendo às necessidades de forma eficiente”, comunicou.
Ex-prefeita Raquel Chini também foi alvo
A ex-prefeita de Praia Grande, Raquel Chini, também foi alvo de acusações e na última terça-feira (2), ela foi às redes sociais para rebater falas de Mourão proferidas em uma sessão da Câmara Municipal.
Chini, que governou a cidade entre 2021 e 2024 e foi eleita sucessora com o apoio do próprio Mourão na época, manifestou-se contra as críticas feitas à sua gestão e ao atual modelo de saúde, evidenciando um racha no grupo político local.
A ex-gestora subiu o tom ao mencionar irregularidades em contratos de coleta de lixo firmados por Mourão em gestões anteriores. Segundo Raquel, os índices da categoria ultrapassavam as porcentagens permitidas, gerando um “rombo” financeiro que ela teria sido obrigada a cobrir durante seu mandato. O questionamento expõe um racha político profundo entre o atual prefeito e sua antiga sucessora.
O prefeito de Praia Grande foi procurado, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

