A eutanásia marca o caso da espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, que morreu nesta quinta-feira (26), após procedimento legal na Espanha. Dias antes, ela concedeu uma entrevista à emissora Antena 3, onde explicou sua decisão, o conflito com a família e os motivos que a levaram ao pedido.
O que disse jovem antes da eutanásia
Quatro dias antes da eutanásia, Noelia falou publicamente pela primeira vez. Ela afirmou que desejava encerrar o sofrimento e seguir em paz.
“Eles me dizem: ‘Você vai embora e nós ficamos aqui com toda a dor da sua partida’, mas eu penso: e toda a dor que eu já sofri? Só quero ir embora em paz e deixar de sofrer”, disse. Durante a entrevista, a jovem também declarou que se sentia incompreendida.
Segundo ela, faltava empatia das pessoas ao redor. “Sempre me senti sozinha, nunca me senti compreendida, nunca tiveram empatia comigo. Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer, porque está cada vez pior”, afirmou ao comentar sua visão sobre a vida.
Relatos de dor e sofrimento constante
Noelia descreveu dores físicas frequentes e dificuldade para dormir. Ela relatou falta de disposição para atividades simples do dia a dia. A jovem afirmou que não sentia vontade de sair ou se alimentar.
O desejo principal, segundo ela, era descansar.
“Dormir é muito difícil para mim, sinto dores nas costas, nas pernas, dor física diária. Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de comer, só descansar”, disse. “Já não posso mais com essa família, com as dores, com tudo o que me atormenta na cabeça. Não quero ser exemplo de ninguém, é simplesmente a minha vida”, acrescentou.
Além das dores físicas, Noelia convivia com transtornos mentais. Ela foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo e borderline.
Histórico de saúde e traumas
Antes do pedido de eutanásia, Noelia já enfrentava um histórico difícil. Ela passou por episódios de violência sexual e problemas familiares.
Após uma tentativa de suicídio, sofreu uma lesão grave na medula. A condição resultou em paraplegia e uso de cadeira de rodas.
Desde então, passou a conviver com dor crônica e limitações físicas. Mesmo assim, afirmou que mantinha autonomia em algumas tarefas.
“Não é verdade que eu esteja acamada. Eu me levanto, tomo banho sozinha, me maquio, me organizo sozinha”, explicou.
Como funciona a eutanásia na Espanha
A eutanásia é legal na Espanha desde 2021. A lei permite o procedimento em casos específicos.
Segundo o Ministério da Saúde espanhol, o paciente deve fazer dois pedidos formais. Eles precisam ser voluntários e com intervalo mínimo entre eles.
Além disso, dois médicos independentes avaliam o caso. Depois, uma comissão revisa todo o processo antes da autorização final.
No caso de Noelia, o processo durou cerca de 601 dias. A decisão passou por disputas judiciais até ser confirmada.
Diferença entre eutanásia e morte assistida
A eutanásia ocorre quando profissionais de saúde realizam o procedimento. Eles administram medicamentos para provocar a morte de forma controlada.
Já na morte assistida, o próprio paciente executa o ato final. Nesse caso, há apenas orientação médica.
Situação da eutanásia no Brasil
No Brasil, a eutanásia é considerada crime. A prática pode ser enquadrada como homicídio, segundo o Código Penal.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, médicos não podem realizar o procedimento no país.
Apesar disso, o tema segue em debate. Casos internacionais costumam reacender discussões sobre legislação.

