A estimativa do Banco Central monetária aponta que esse tipo de atividade gerou impacto positivo de até 0,8 ponto percentual.
O Banco Central afirmou nesta quinta-feira (25) que o avanço do trabalho por meio de plataformas digitais contribuiu diretamente para o aumento do nível de ocupação no Brasil. A estimativa da autoridade monetária aponta que esse tipo de atividade gerou impacto positivo de até 0,8 ponto percentual no total de pessoas ocupadas até o segundo trimestre de 2025.
- A análise consta no Relatório de Política Monetária e foi divulgada em meio a dados históricos do mercado de trabalho: segundo o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho atingiu 5,6%, o menor índice desde o início da série, em 2012.
“O advento do trabalho por meio de plataformas digitais representa uma mudança estrutural no mercado de trabalho, que contribuiu para o maior ingresso de pessoas na força de trabalho e na ocupação, com efeitos positivos sobre os principais indicadores”, avaliou o Banco Central.

Efeito estrutural
A avaliação da autarquia considera que a ampliação das atividades por aplicativos de transporte e entrega tem provocado alterações duradouras nas dinâmicas de ocupação no país. Os trabalhadores desse segmento passaram a integrar uma parcela significativa da força ativa nacional, ajudando a mitigar os efeitos de retrações em outros setores.
Ao tratar do crescimento como “expressivo”, o BC indica que o fenômeno foi suficientemente amplo para repercutir de forma mensurável nas estatísticas do IBGE. Ainda segundo o relatório, esse movimento também reforça a necessidade de acompanhar as transformações no perfil da ocupação, dado que ele impacta a formulação de políticas públicas, o consumo e a arrecadação fiscal.
A conclusão não inclui juízo de valor sobre a qualidade do vínculo ou da remuneração, mas destaca que o modelo ampliou o acesso ao mercado de trabalho formal ou informal, reduzindo a ociosidade da mão de obra — ainda que por meio de arranjos não convencionais.
Recorde e recomposição
A taxa de desemprego de 5,6% é a menor da série histórica iniciada em 2012, refletindo o crescimento da ocupação em diversas frentes, com peso relevante do setor de serviços e da informalidade, segundo o IBGE. Neste cenário, a participação dos aplicativos tem ganhado destaque por representar uma espécie de “válvula de escape” para parte da população economicamente ativa.

