Segundo o presidente americano, ataque teria atingido um cais na costa venezuelana e marcaria a primeira ação em terra da campanha militar dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que forças americanas atacaram e destruíram uma área de atracação de embarcações na Venezuela supostamente utilizada pelo narcotráfico, o que, se confirmado, será o primeiro ataque em terra desde o início da campanha militar conduzida por Washington na região.
Em conversa com jornalistas, Trump declarou que houve “uma grande explosão” em um cais usado para carregar embarcações com drogas e afirmou que tanto os barcos quanto a própria estrutura de atracação teriam sido destruídos. O presidente disse ainda que o local ficava na costa venezuelana, mas não detalhou a natureza da operação nem o ponto exato do ataque.
A menção pública ao episódio não foi inédita. Na sexta-feira (26), em entrevista a uma rádio americana, Trump já havia citado a destruição de “uma grande instalação”, ocorrida dois dias antes da conversa. Após as declarações mais recentes, a imprensa procurou o Pentágono e a CIA, mas ambos informaram não ter dados a compartilhar. A Casa Branca também se recusou a comentar.
Escalada militar na região
Caso a versão apresentada pelo presidente americano seja factível, a ofensiva poderia marcar uma mudança de rumos da campanha, até então caracterizada por ações navais e bombardeios em águas internacionais. Trump havia prometido uma ofensiva terrestre contra Caracas, mas, até agora, não havia anunciado publicamente ataques desse tipo.
Washington mobilizou mais de 20% de suas tropas para o Caribe sob o argumento de combater o narcotráfico, empregando navios de guerra, um porta-aviões, submarinos nucleares, drones e bombardeiros. Segundo dados divulgados pelo próprio governo dos EUA, mais de 25 ataques foram realizados nesse contexto, com ao menos 95 mortes registradas.
Além das ações militares, Trump determinou o bloqueio de petroleiros sob sanção que operam na Venezuela, resultando no confisco de pelo menos duas embarcações. Washington acusa Caracas de usar a venda de petróleo para financiar atividades classificadas como “narcoterrorismo”, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros.
Reações internacionais
A ofensiva americana foi alvo de críticas no ONU. Em reunião do Conselho de Segurança realizada em 23 de dezembro, Rússia e China condenaram a pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos, classificando a postura de Washington como intimidação.
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, também se manifestou durante a sessão, afirmando que o país enfrenta uma potência que, segundo ele, atua à margem do direito internacional e busca forçar a rendição do Estado venezuelano.

