Você conhece Orlando Silva, “o Cantor das Multidões”? Nascido em 03 de outubro de 1915, há exatos 110 anos, o artista carioca foi uma das grandes estrelas da Era do Rádio nos anos 30 e arrastava públicos imensos em seus shows e apresentações, mas quando sua carreira foi entrando em declínio, se afundou no vício e teve inúmeros problemas de saúde, até falecer aos 62 anos.
O início da carreira
Nascido na estação do Engenho de Dentro, subúrbio carioca, o pai de Orlando Silva era violonista, tendo participado de uma das formações do conjunto de Pixinguinha, os Oito Batutas.
Foi entregador de marmitas, operário em uma fábrica de cerâmicas, aprendiz de cortador em fábrica de calçados e entregador de encomendas, mas já cantava desde criança na escola e para a vizinhança.
Ainda jovem, sofreu um acidente ao tentar tomar um bonde em movimento, que lhe causou a amputação dos quatro primeiros dedos dos pés e transtornos para o resto da vida. Ele ficou quase seis meses internado, tomando morfina para suportar as dores. Mais tarde, Orlando Silva desenvolveria um vício pela droga, o que consumiu uma considerável parte dos seus ganhos como cantor.
Quando melhorou de saúde, trabalhou como trocador de ônibus, uma das poucas funções que podia desempenhar sentado, passando depois para o escritório da companhia.
Nessa época, foi – incentivado por seu irmão – tentar um trabalho na Rádio Cajuti, mas saiu de lá com uma oportunidade de ser apresentado ao já famoso cantor Francisco Alves, que amou a sua voz e o levou para cantar em seu programa naquela mesma rádio. Orlando Silva tinha 17 anos e o ano era 1934.
No ano seguinte, gravou seu primeiro disco de 78 RPM, com acompanhamento do Grupo do Canhoto, interpretando o samba-canção “No quilômetro dois…” (de J. Aimberê) e o samba “Para Deus somos iguais” (de J. Cascata e J. Barcelos).
A partir desse primeiro disco, vieram quase 250 álbuns de 78 RPM, 5 compactos e 11 LP’s, até o seu último álbum, “Orlando Silva, Hoje”, lançado em 1973.
O Cantor das Multidões
Em 1936, Orlando Silva ajudou a inaugurar a Rádio Nacional e foi o primeiro cantor a se apresentar por lá, interpretando “Caprichos do Destino”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz.
Ele também foi o primeiro artista a ter um programa exclusivo na rádio, que ia ao ar nos finais das tardes de domingo. Seu primeiro sucesso de carnaval foi “Abre a Janela” (de Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior), em 1938.
Em 1937 com a valsa “Lábios Que Beijei” (J. Cascata e Leonel Azevedo) subiu ao topo como grande astro.
Com o fim do programa de Francisco Alves, em 1935, Orlando passou a se apresentar nas Rádios Guanabara, Rádio Clube, Educadora, e na Transmissora. Num intenso corre-corre, apresentava-se diariamente e até mesmo em duas estações num mesmo dia. Sua consagração no Rádio foi a apresentação no “Programa Casé”, do qual participavam todas as grandes estrelas da época.
O seu sucesso era tamanho que suas fãs criaram o hábito de colecionar pedaços de suas roupas. Seus discos quebravam recordes de venda e o apelido de “o cantor das multidões” veio do fato de Orlando Silva arrastar multidões não só em suas apresentações públicas, mas também ao longo de ruas e avenidas, nas quais o povo se agrupava para ouvir sua voz reproduzida em alto-falantes instalados no trajeto.
Em 1969, o artista ganhou um filme documentário média-metragem, dirigido e produzido por Oswaldo Caldeira, com o nome de “O Cantor das Multidões”.
Ao longo de sua carreira, Orlando Silva gravou com enorme êxito desde marchas carnavalescas como “A Jardineira” (de Benedito Lacerda e Humberto Porto), até valsas e canções mais lentas como “Carinhoso” (Pixinguinha eJoão de Barro) e “Rosa” (Pixinguinha e Otávio de Souza). Fez também várias participações no cinema, como no filme “Banana da Terra“, de Ruy Costa, em 1939.
Últimos anos
Em meados dos anos 40, a carreira do “Cantor das Multidões” começou a ser prejudicada, junto com sua voz: acredita-se que por essa época o cantor tenha voltado a utilizar a morfina, por conta do fim de um forte relacionamento amoroso com a atriz Zezé Fonseca, comprometendo sua bela voz e carreira artística, Mesmo assim, continuou a lançar sucessos.
Em 1946, saiu da Rádio Nacional para atravessar esse período particularmente crítico de sua vida, mas logo voltou para substituir Francisco Alves, que havia falecido, em 1952, no programa “Quando os Ponteiros se Encontram”, ao meio-dia dos domingos.
Em 1953, foi eleito “Rei do Rádio” e também recebeu uma medalha de ouro como o melhor cantor do ano. Recuperada a popularidade, daí em diante levou uma existência tranquila e confortável, apresentando-se por todo o Brasil.
Em 1947, Orlando SIlva conheceu Maria de Lourdes, com quem conviveu em suas últimas décadas de vida. Ela teria ajudado o artista a abandonar o álcool e a diminuir seu consumo de morfina.
Orlando Silva faleceu em 1978, aos 62 anos, vítima de um ataque cardíaco. A notícia causou comoção nacional e arrastou uma multidão às ruas, para prestar a última homenagem ao artista.

