Daqui a dois meses acontece a 40ª edição da Corrida Integração. Neste ano, ela vem cheia de novidades: dois dias de evento, várias provas diferentes e até corridas para a criançada.
Ao longo de quatro décadas, a Integração passou por muitas transformações. Na primeira edição, por exemplo, os corredores tinham apenas uma hora para completar a prova. Desde então, esse limite deixou de existir, os horários foram alterados e o próprio trajeto se modificou, acompanhando as mudanças da cidade.
Quarenta anos se passaram desde o primeiro disparo. Campinas mudou, o ponto de encontro também. O percurso foi redesenhado, e a Corrida Integração, que começou como novidade, tornou-se tradição. A neuroarquiteta e corredora Elza Bergamin destaca que, quando a prova ocupa as ruas, ela beneficia tanto a cidade quanto as pessoas.
“A corrida começou no centro da cidade. Hoje ela larga do Taquaral e passa por alguns trechos urbanos importantes e isso é super importante para a cidade, para essa interação das pessoas com a cidade. A gente até brinca entre os corredores que a gente conhece a cidade correndo”.
Corrida Integração: da largada no Centro ao Taquaral
A Corrida Integração cresceu, e quem esteve lá no começo viu tudo se transformar e também mudou.
“Eu tive a felicidade de fazer pódio na primeira e na segunda integração”, relembra o educador físico José Carlos Silva. “Continuei fazendo parte da integração respeitando minhas faixas etárias, de 40 anos, de 45 anos, de 50 anos, ainda me destacando na minha faixa etária”, conta.
José Carlos Silva participou da primeira edição da Corrida Integração (Foto: arquivo pessoal)
Com o tempo, ele aprendeu a respeitar os limites do corpo. No início, a ambição de estar entre os primeiros custava caro.
“Você está naquele pelotão da frente, você vai ao máximo que você pode, esgota todas as suas forças, para ficar naquele pelotão e decidir no final. Mas, o desgaste físico foi tremendo. Eu mesmo chegando, indo ao pódio, fui parar no hospital”.
O educador físico conta que foi descobrindo seus limites com o passar dos anos
O calor que marcava a prova
Naquela época, a Corrida Integração era disputada aos sábados, às 15h — ou às 14h no horário de verão. O sol forte tornava a prova ainda mais desafiadora. Reportagens antigas da EPTV mostram que, devido às altas temperaturas, caminhões do Corpo de Bombeiros eram posicionados ao longo do trajeto para refrescar os atletas, e moradores ajudavam com mangueiras.
“Quando a corrida surgiu, havia uma preocupação também de adequar ao fluxo do comércio no Centro da cidade. Geralmente, era no sábado à tarde. Com o tempo, outros horários e outros locais foram sendo importantes para que a corrida evoluísse, para adequar o melhor horário, para que realmente todos os atletas pudessem participar e chegar com segurança, saúde, com qualidade, né?”,
explica o diretor de Relações Institucionais da EPTV, Paulo Brasileiro.
Percursos medidos no passo
Além do horário, o percurso da Corrida Integração também passou por várias alterações. A primeira prova tinha 9,3 km, mas houve edições com 10 km, 12 km e até 15 km. Entre 1985 e 2000, foi o árbitro de atletismo Riciere Dezem quem desenhou cada trajeto.
“Eu fazia o percurso de madrugada. Medição de pista também de atletismo. Então tinha, mais ou menos, uma ideia da distância que eu fazia em passos”,
explica.
O árbitro de atletismo Riciere Dezem foi o responsável pelo trajeto da corrida entre 1985 e 2000
Isso mesmo: nos primeiros anos, a medição era feita contando passos. Com o tempo, a tecnologia passou a ajudar.
“Eu tinha também que criar percursos para dificultar a chegada, para não chegar todo mundo junto. Eu fazia percursos onde tinha subida”,
explica.
Chegadas apertadas e sem tecnologia
A largada e a chegada eram desafios à parte para a organização. “Não havia cronometragem eletrônica, era só manual. Então a gente usava cronômetros em cada baía de chegada e ia marcando os tempos individualmente”, conta o árbitro.
Segundo José Carlos, o Centro era um local apertado para receber os corredores.
“O Centro era muito fechado pra largar e depois de acabar. Tanto é que na primeira Integração, se chegava em fila indiana. Os primeiros, claro, chegavam mais soltos, sozinhos, funil de chegada. E quem vinha para trás, ficava no funil, cansado, tropeçando em cima do outro porque não tinha uma dispersão legal”.
A grande mudança da Corrida Integração aconteceu em 2001
Em 2001, ocorreu a maior mudança da história da prova: a saída definitiva do Centro para a Lagoa do Taquaral. Ainda assim, o trajeto incluía avenidas dos percursos antigos, como a Norte-Sul e a Orosimbo Maia.
“Correndo a gente passa por vários pontos da cidade, históricos também. Já corri em outros lugares, Rio de Janeiro, São Paulo também, que você passa também por um teatro, uma igreja importante que tem um significado na história da cidade. E assim é aqui em Campinas também. A própria Lagoa do Taquaral é considerada um cartão postal da cidade”,
comenta Elza Bergamin.
Integração com a cidade
Ao longo dos anos, a corrida transformou a cidade — e foi transformada por ela. “O próprio nome é integrar as pessoas à cidade e à história que ela conta através da corrida”, ressalta Elza.
“Pra mim, foi uma satisfação enorme ter contribuído para esse evento. O que me deixa feliz é que eu colaborei com isso para que ela pudesse chegar onde está hoje”,
finaliza Riciere.
Para Elza, , quando a prova ocupa as ruas, ela beneficia tanto a cidade quanto as pessoas
“Eu não sabia que ela ia durar por tantos anos e que isso seria uma história tão bacana. Poder ir à primeira e estar aqui hoje para contar isso para vocês”,
diz José Carlos Silva.
** Com informações de Wesley Justino/EPTV Campinas
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