Hoje celebramos os 70 anos de Oswaldo Montenegro! Este artista múltiplo que canta, escreve, compõe trilhas sonoras para peças teatrais, balés, cinema e televisão e tem uma das parcerias mais sólidas da MPB ao lado da flautista e amiga Madalena Salles.
Para homenagear Oswaldo nesta data especial em que completa sete décadas de vida, trouxemos a história de um de seus maiores sucessos nestes mais de 50 anos de carreira: a canção “Lua e Flor”, composta justamente em homenagem à Madalena Salles.
Oswaldo Montenegro – 70 anos de história
Nascido no Rio de Janeiro, no ano de 1956, Oswaldo Montenegro passou a infância em Minas Gerais, onde teve os primeiros contatos com a música popular, ao acompanhar o espírito seresteiro da cidade. Autodidata e excepcionalmente precoce musicalmente, venceu o seu primeiro festival com apenas 13 anos de idade, com a música “Canção para Ninar Irmã Pequena”.
Já na adolescência, viveu em Brasília, fonte de inspiração de muitas das suas canções, e lá passou a frequentar festivais de música e companhias de teatro e dança, conhecendo a maioria de seus parceiros na arte – como a flautista Madalena Salles e o cantor e compositor Mongol – e decidindo seguir definitivamente a carreira musical.
Em 1972, Oswaldo Montenegro teve a sua música “Automóvel” classificada no último Festival Internacional da Canção, da TV Globo, levando o artista a apresentar-se pela primeira vez em um festival de dimensões nacionais.
Em 1975, estreou a primeira peça de teatro de sua autoria, “João Sem Nome”, e também o seu primeiro compacto, “Sem Mandamentos”. Em 1977, foi a vez do primeiro LP: “Trilhas”, lançado de forma independente.
No ano seguinte, Oswaldo foi convidado a gravar, pela WEA, seu primeiro álbum por uma gravadora: “Poeta Maldito, Moleque Vadio”.
Em 1979, ficou em terceiro lugar no Festival da TV Tupi, com o clássico “Bandolins”, divisor de águas em sua carreira. No ano seguinte, o artista venceu o Festival MPB 80, com a inesquecível “Agonia”, de autoria de Mongol.
A partir daí, Oswaldo Montenegro fez excursões nacionais, tocou em grandes teatros e passou a ser conhecido do grande público e mídia. Ainda em 1980, lançou seu segundo álbum pela WEA, “Oswaldo Montenegro”, alcançando seu primeiro disco de ouro.
Depois disso, a carreira de Oswaldo não parou mais de crescer e o artista escreveu a sua história na música popular brasileira.
Em 1982, Montenegro retornou para Brasília, para montar o espetáculo musical “Veja Você, Brasília”, com artistas da região. Deste elenco destacam-se nomes como Cássia Eller e Zélia Duncan, ainda desconhecidas do público.
Depois disso, o artista escreveu mais de 20 peças de teatro musical, entre elas “Noturno”, “Filhos do Brasil” e “Léo e Bia”, que estão em cartaz e são sucesso até os dias de hoje, com a Oficina dos Menestréis.
Oswaldo Montenegro possui mais de 40 álbuns lançados ao longo de mais de 50 anos de carreira. Os mais recentes lançamentos do artista foram em 2025, o álbum “O Melhor da Vida Ainda Vai Acontecer” e o comemorativo de 40 anos de seu musical “A Dança dos Signos”.
A história da música “Lua e Flor”
Um dos maiores sucessos da carreira de Oswaldo Montenegro, a canção “Lua e Flor” foi composta pelo artista em homenagem à sua grande amiga e parceira de palco há 50 anos: a flautista Madalena Salles.
Oswaldo e Madalena se conheceram em 1975, na Universidade de Brasília, e a conexão musical entre os dois foi imediata. Ele a convidou para participar de programas de TV e shows, e juntos, construíram uma carreira marcada por sucessos em musicais e turnês. Eles chegaram a namorar por um tempo, mas – depois do fim do relacionamento – mantiveram uma forte e duradoura amizade (também cheia de amor e admiração) e parceria musical.
Madalena Salles tornou-se uma peça-chave na vida e obra de Oswaldo Montenegro, participando de todos os seus projetos. A sonoridade do trabalho do artista é muito calcada no violão e na flauta, tendo muita influência de “Madá”, como ele chama a amiga e parceira.
Em uma entrevista ao canal de Youtube “Um Café Lá em Casa”, do músico Nelson Faria, Oswaldo contou sobre a relação:
“Muita gente diz – e eu concordo – que, na verdade, eu faço só a abertura do show da Madá (…) O show é da Madalena! O que importa é o que ela pensa e o que ela sente. Nós estamos ali só para incensar essa figura doce e maravilhosa. Ela é a mãe da trupe dos Menestréis. Ela é a nossa madrinha, a nossa mãe, tudo!
Madalena é uma pessoa erudita, vem de uma outra formação, não tem ego, não se confunde com a coisa pop, não tem interesse nas mesquinharias do sucesso. E ela trata isso tudo com muita nobreza, com uma erudição muito grande e – ao mesmo – tempo com uma simplicidade.
(…) Ela é a nossa força. É por ela que a gente faz. Só que ela é modesta demais e fica deixando a gente brilhar. Mas ela é o grande brilho. Eu falo isso sem nenhuma demagogia. Ela é o caráter mais bonito e foi isso que fez a gente continuar amigo, a gente continuar nesta profissão. E a mim, foi o que me fez sobreviver a meu problema de ansiedade e me aceitar.”.
E foi exatamente essa relação de amizade que inspirou Oswaldo Montenegro a escrever “Lua e Flor”. O cantor estava em turnê por Portugal e decidiu escrever a letra como se fosse uma carta de Lisboa para Madalena. Já aqui no Brasil, mostrou a música para a flautista, deixando-a muito emocionada.
A letra começa mencionando o passado, como se o personagem estivesse lembrando a grandeza de um amor que viveu. Ele faz comparações e esse recurso se repete ao longo da canção, como se estivesse tentando explicar o amor por Madalena.
O solo de flauta presente na música é de Madalena Salles – como tantos outros solos de flauta presentes em canções de Oswaldo Montenegro – o que torna a obra muito mais significativa.
A primeira vez que a canção foi apresentada foi na peça que Oswaldo montou com a atriz Marília Pêra, chamada “Brincando em Cima Daquilo”, em 1984. Durante o monólogo, a atriz cantava trechos de “Lua e Flor”.
Mais tarde, em 1988, a canção entrou para o álbum “Oswaldo Montenegro ao Vivo”.
Oswaldo já compôs outras diversas canções para a amiga e parceira flautista, como é o caso de “Ilariô (Toada Para Madalena)”, lançada no álbum “Estrada Nova”, de 2002.

