O Porto de Santos, principal complexo portuário do país, apresenta custos significativamente superiores aos demais terminais brasileiros na movimentação de contêineres, segundo estudo recente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). A pesquisa indica que as tarifas podem ser, em média, 21,5% mais altas, enquanto o Porto de Suape (PE) chega a cobrar até 76,5% acima da média nacional, sem explicações estruturais claras para essa diferença.
Taxas portuárias impactam cadeia produtiva
O levantamento analisou as chamadas Terminal Handling Charges (THC), que correspondem aos custos de movimentação de contêineres dentro dos portos, entre 2019 e 2025. Essas tarifas, pagas por exportadores e importadores, remuneram operações como transporte interno, empilhamento e posicionamento de cargas.
Embora sejam custos operacionais, o impacto se amplia ao longo da cadeia produtiva. Com milhões de contêineres movimentados anualmente, a elevação dessas taxas contribui para o aumento do preço final de produtos e afeta a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
Para garantir comparabilidade, os valores foram corrigidos com base na inflação internacional, utilizando o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.
Santos lidera movimentação, mas enfrenta congestionamento
Responsável por cerca de 27% da movimentação nacional de contêineres, o Porto de Santos também se destaca pelos custos mais elevados. De acordo com o estudo, o principal fator para esse encarecimento é o desequilíbrio entre demanda e capacidade operacional.
O aumento do volume de cargas sem expansão proporcional da infraestrutura tem gerado filas de navios e maior tempo de espera para atracação. A pesquisa aponta que, a cada crescimento de 10% no tempo de espera, há elevação média de 4% nas tarifas.
Quando considerados fatores como capacidade, demanda e congestionamento, a diferença de preços em Santos diminui, indicando que o custo mais alto está associado principalmente à sobrecarga do sistema.
Suape apresenta distorção sem justificativa operacional
O caso do Porto de Suape chama atenção por não seguir a mesma lógica. Mesmo com menor movimentação e capacidade abaixo da média nacional, o terminal apresenta os maiores custos do país.
Segundo o estudo, variáveis como demanda, infraestrutura e filas explicam apenas uma pequena parte do valor cobrado. A maior parcela do sobrepreço não encontra justificativa nos dados analisados, o que aponta para possíveis distorções no modelo de precificação.
Capacidade e escala influenciam preços
A pesquisa também identificou que o aumento do volume de cargas pode reduzir custos, desde que acompanhado por expansão da capacidade. Em cenários equilibrados, o crescimento de 10% na movimentação tende a reduzir as tarifas em proporção semelhante.
No entanto, quando a infraestrutura não acompanha a demanda, ocorre o efeito contrário: aumento de filas, congestionamento e elevação de preços, como observado em Santos.
Expansão do porto é considerada essencial
O estudo destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária, especialmente no Porto de Santos. Projetos de ampliação, como o Tecon Santos 10, ainda enfrentam entraves regulatórios e não avançaram conforme o previsto.
A proposta prevê aumento significativo da capacidade, o que poderia reduzir os custos de movimentação em até 38,4%, podendo chegar a mais de 60% em cenários com redução de filas.
A demora na execução dessas obras já gera impactos econômicos. Estimativas do setor apontam perdas bilionárias em exportações devido à limitação operacional do porto.
Impactos vão além da logística
Os custos portuários elevados afetam diretamente o consumidor final. Produtos importados tendem a ficar mais caros, enquanto exportadores enfrentam dificuldades para competir no mercado global.
A eficiência da infraestrutura logística, portanto, influencia não apenas o comércio exterior, mas também preços internos e geração de empregos.

