Rodrigo Paz afirmou que a Bolívia vive uma inflexão institucional. “A Bolívia não está apenas pedindo uma mudança de governo…”, disse.
O senador centrista Rodrigo Paz lidera a disputa pela presidência da Bolívia com 32,18% dos votos, segundo os primeiros resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Eleitoral no domingo (17). A sigla governista Movimento ao Socialismo (MAS), pela primeira vez em quase 20 anos, amarga um desempenho eleitoral considerado histórico: apenas 3,16% para seu candidato, Eduardo del Castillo.
O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão conservadora Alianza, aparece em segundo lugar, com 26,94% dos votos válidos. Com a apuração ainda em andamento e nenhum candidato ultrapassando os 40% com 10 pontos de vantagem, o cenário indica a realização de um segundo turno em 19 de outubro. O resultado final será divulgado nos próximos sete dias.
🔴🇧🇴| El Socialismo empobrecedor perdió por paliza en las elecciones de Bolivia.
✅El continente de a poco gira hacia la derecha, se festeja. pic.twitter.com/1ZYg88OsR9
— Rocky Mileista🐍 (@BalboaMilei) August 18, 2025
Mudança no sistema político
Em discurso transmitido após a divulgação dos números, Paz afirmou que o país vive uma inflexão institucional. “A Bolívia não está apenas pedindo uma mudança de governo, está pedindo uma mudança de sistema político”, declarou. O senador é filiado ao Partido Democrata Cristão e propõe a descentralização do Executivo, com um modelo de partilha econômica que transfere 50% dos recursos públicos às administrações regionais.
A declaração foi seguida por manifestações de apoio nas ruas, sob gritos de “renovação”. Quiroga, por sua vez, reconheceu os números e parabenizou Paz pela liderança. O ex-presidente defende medidas radicais, como cortes nos gastos públicos e a ruptura de alianças com governos autoritários da região.
O presidente em fim de mandato, Luis Arce, divulgou uma nota afirmando que “a democracia triunfou”, reconhecendo implicitamente o resultado adverso para sua legenda.
Voto útil e crise econômica
A ascensão de Paz surpreendeu analistas. Pesquisas anteriores indicavam apenas 10% de intenção de voto para o senador, que aparecia atrás de Quiroga e de Samuel Doria Medina, da Unidade Nacional. Este último reconheceu a derrota e declarou apoio a Paz no segundo turno. O pleito foi marcado pela inflação mais alta em quatro décadas, ausência de Evo Morales e a desmobilização de sua base. Apesar dos apelos ao boicote, a participação popular foi considerada estável, sem registro de grandes distúrbios, segundo observadores internacionais. Houve apenas pequenos incidentes em Cochabamba, reduto do ex-presidente.
Com a inflação anual saltando de 12% em janeiro para 23% em junho, bolivianos passaram a buscar proteção no mercado de criptomoedas. A escassez de combustível, dólares e o aumento do custo de vida tornaram a economia o tema central da campanha. Para o economista Roger López, “a Bolívia está à beira do colapso”.
Ele aponta que o país não dispõe de reservas em dólar suficientes para cumprir suas obrigações cambiais, o que agrava o cenário de instabilidade.
Além do novo presidente, os bolivianos elegeram 26 senadores e 130 deputados. Os eleitos tomam posse no dia 8 de novembro.

