O governo Trump pretende incluir críticas ao ministro Alexandre de Moraes, no relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo.
O governo dos Estados Unidos pretende incluir críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo. Segundo o jornal The Washington Post, que teve acesso a rascunhos do documento, o texto deve apontar suposta perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do atual presidente americano, Donald Trump.
O relatório, cuja divulgação está prevista para esta terça-feira (12), teria passado por alterações significativas desde a gestão anterior, com reformulações que destacam as ações de autoridades judiciais e policiais brasileiras — especialmente nos processos que investigam os atos do 8 de janeiro de 2023. Moraes, relator das investigações, é citado como figura central nos inquéritos e alvo direto das críticas da Casa Branca.
De acordo com a apuração do Washington Post, a nova abordagem adotada pelo Departamento de Estado marca uma inflexão nas prioridades da política externa americana. O foco passou a recair sobre governos e autoridades vistas como adversárias, poupando aliados próximos da atual gestão. Fontes internas da pasta e defensores de direitos humanos ouvidos pelo jornal classificam a mudança como uma distorção deliberada, com viés político e finalidade estratégica.
Além do Brasil, países como África do Sul, El Salvador, Israel e Rússia também teriam tido trechos sensíveis retirados ou suavizados nos rascunhos. Entre os conteúdos modificados estão menções a corrupção, violência carcerária e repressão a minorias LGBTQ+. A reformulação teria provocado tensão interna, especialmente entre diplomatas que participaram da versão inicial do relatório ainda sob a presidência de Joe Biden.
A ex-subsecretária de Estado para Direitos Humanos, Uzra Zeya, afirmou ao jornal que o atual secretário Marco Rubio tenta instrumentalizar o documento como ferramenta de pressão geopolítica. Para ela, o uso seletivo de denúncias de direitos humanos compromete a credibilidade da política externa americana e ameaça o caráter técnico do relatório.
Moraes é alvo de sanções
As críticas ao ministro Alexandre de Moraes não se restringem ao relatório. No fim de agosto, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções ao magistrado, com base na Lei Global Magnitsky — instrumento legal que permite ao governo americano bloquear bens e restringir atividades econômicas de estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
Em nota publicada no site oficial da pasta, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Moraes lidera uma “campanha opressiva de censura”, com “detenções arbitrárias, violações sistemáticas de direitos humanos e perseguição política, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”. Segundo ele, o ministro estaria atuando como “juiz e júri” em um processo que afeta cidadãos e empresas dos Estados Unidos e do Brasil.
Com a decisão, todos os ativos financeiros de Moraes em território americano foram congelados, e sua atuação junto a empresas americanas passa a ser restringida. A embaixada do Brasil em Washington não se manifestou até a publicação da reportagem.

