Grupo atraía vítimas por aplicativos de relacionamento e realizava sequestros seguidos de extorsão bancária
A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (5) quatro pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no “golpe do amor”, modalidade em que vítimas são atraídas por perfis falsos em aplicativos de relacionamento e, ao comparecerem ao encontro, eram sequestradas e forçadas a realizar transferências bancárias.
A operação, deflagrada pelo DEIC e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios de Campinas, Hortolândia e Sumaré.
Segundo informações apuradas pela reportagem, o grupo mantinha uma estrutura segmentada, com atuação de integrantes responsáveis tanto pela abordagem inicial quanto pela ocultação dos valores extorquidos.
Como o golpe era aplicado?
As chamadas “iscas” ficavam encarregadas de criar os perfis falsos e estabelecer contato com as vítimas, utilizando fotografias sedutoras e abordagens despretensiosas para conquistar a confiança dos alvos. Após a combinação do encontro, o interlocutor era surpreendido por criminosos armados, conduzido até um cativeiro clandestino e coagido a realizar movimentações financeiras imediatas.
Entre os presos estão os “laranjas”, indivíduos que emprestavam ou forneciam contas bancárias para o recebimento das quantias transferidas sob coação — prática usualmente associada à lavagem de dinheiro e dificultação do rastreio policial. Em alguns casos, as contas eram usadas por tempo determinado e depois abandonadas.
A apuração identificou que, embora o golpe se inicie com a simulação de um relacionamento, o objetivo central da quadrilha era a extorsão mediante sequestro-relâmpago, com foco em valores transferíveis digitalmente. A investigação segue em andamento, e outras diligências estão previstas para identificar se há mais envolvidos ou vítimas.

