A medida sobre emissão de vistos integra um programa piloto do governo dos EUA que será iniciado no dia 20 de agosto.
O governo dos Estados Unidos, sob Trump, está preparando uma proposta que exigir cauções de até R$ 15 mil (equivalente a cerca de US$ 3 mil) para determinados vistos de turismo e negócios nos EUA. A medida integra um programa piloto que será iniciado no dia 20 de agosto e deve vigorar por um ano. A proposta foi revelada pela agência Reuters.
A exigência será direcionada a cidadãos de países com taxas elevadas de permanência após o vencimento dos vistos, segundo o comunicado oficial. Também poderão ser incluídos na regra estrangeiros de países cuja triagem documental não atenda aos padrões exigidos pelas autoridades de imigração americanas.

Fronteiras mais rígidas
A nova diretriz reforça a política migratória do presidente Donald Trump, que desde a campanha sinaliza intenções de restringir a entrada de estrangeiros. Em junho, o governo americano publicou um decreto que proíbe temporariamente a entrada de visitantes de 12 países, incluindo Afeganistão, Mianmar, Chade, Irã e Haiti. Além disso, houve restrições à emissão de vistos para cidadãos de outras nações como Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela.
Segundo a nota oficial, os critérios adotados para definir as restrições envolvem a eficácia nos processos de verificação documental, histórico de cooperação na deportação de cidadãos, e a suposta presença de organizações terroristas. Trump afirmou que os Estados Unidos devem “garantir que aqueles admitidos no país não tenham atitudes hostis em relação aos seus cidadãos, cultura, governo, instituições ou princípios fundadores”.

Críticas de entidades humanitárias
A decisão provocou reações de organizações internacionais. Abby Maxman, presidente da Oxfam America, classificou as restrições como “excessivamente amplas” e alegou que elas afetam indivíduos e famílias em fuga de guerras, perseguições e regimes opressores, forçando-os a permanecer em zonas de risco.
A maioria dos países atingidos pelas novas proibições são de população majoritariamente não branca, e mais da metade tem maioria muçulmana. Alguns deles — como Irã, Líbia, Somália e Iêmen — já haviam sido incluídos em medidas semelhantes no primeiro mandato de Trump. Afeganistão, Haiti e Mianmar, porém, aparecem pela primeira vez entre os vetados.
Esta não é a primeira vez que o governo Trump propõe a exigência de cauções para visitantes estrangeiros. Em 2020, uma proposta semelhante chegou a ser divulgada, mas não foi completamente implementada em razão das restrições impostas pela pandemia da Covid-19. A nova versão, agora em estágio piloto, deve testar a viabilidade da medida com duração inicial de 12 meses.

