Trabalhadores reivindicam 7% de reajuste nos salários e benefícios, proposta que foi recusada pelas empresas
A greve dos trabalhadores da limpeza urbana da Baixada Santista completou uma semana nesta terça-feira (5) e, até o momento, segue sem previsão de término. Uma nova audiência de instrução e conciliação foi realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, mas as partes envolvidas não chegaram a um acordo.
Participaram da audiência o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Estado de São Paulo (Selur) e o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes da Baixada Santista (Siemaco).
Como não houve consenso, seguem valendo as regras que determinam a manutenção de apenas 70% do efetivo durante a greve. Esses trabalhadores atuam em revezamento para garantir serviços essenciais de limpeza. O Ministério Público (MP-SP) alertou que o descumprimento da ordem pode gerar multa de R$ 100 mil por dia ao Siemaco.
Como fica a coleta de lixo durante a greve?
Os serviços mantidos incluem a coleta domiciliar, hospitalar e seletiva, varrição de ruas, limpeza das praias, ecopontos e poda de árvores. Mesmo assim, o número reduzido de profissionais tem gerado acúmulo de lixo em várias cidades da região. A paralisação afeta seis municípios: Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e Bertioga.
Ao todo, são 2.921 funcionários paralisados, das empresas Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental. Os trabalhadores pedem 7% de reajuste nos salários e benefícios, mas as empresas ofereceram 5,5% de aumento salarial e 7,5% nos benefícios – o que foi recusado pelos grevistas.
Posicionamento
As empresas Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental divulgaram nota conjunta reconhecendo o direito de greve e afirmando que seguem com 70% do efetivo nas ruas. Segundo o comunicado, a proposta de reajuste apresentada foi compatível com os índices de mercado e visa preservar os empregos e a saúde financeira das companhias.
No posicionamento, as empresas disseram que “seguem comprometidas com o cumprimento das determinações legais e operam em regime de revezamento entre os trabalhadores, a fim de garantir a continuidade dos serviços essenciais à população”. Também reforçaram que o impasse persiste por conta da falta de consenso com os sindicatos quanto ao índice de reajuste.
Ainda de acordo com as empresas, a proposta de 5,5% representa um esforço realista diante das condições econômicas atuais, enquanto os sindicatos pedem aumento acima do que foi praticado nos últimos anos. Ambas as partes afirmam estar abertas ao diálogo, mas não há nova reunião agendada até o momento.
E as prefeituras? O que dizem?
Em nota, a Prefeitura de São Vicente afirmou que monitora o contrato com a empresa responsável e cobra o cumprimento da decisão judicial, que exige 70% do efetivo nas ruas. A cidade também disponibilizou um canal via WhatsApp (13) 97423-4472) para que moradores encaminhem demandas e imagens relacionadas à limpeza.
Em Santos, a prefeitura destacou que está com os pagamentos em dia com o consórcio Terra Santos e que a paralisação não tem relação com a execução financeira do contrato. A cidade disse ter notificado a empresa para garantir os serviços essenciais e também afirmou acompanhar as negociações entre sindicato e empregadora.
Já Bertioga confirmou que o serviço não foi interrompido e que a empresa manteve o percentual exigido pela Justiça. Após acordo entre empresa e sindicato, o município informou que o serviço será normalizado com 100% do efetivo a partir desta quarta-feira (6).
Por fim, a Prefeitura de Praia Grande informou que a coleta segue ocorrendo nos bairros, com 70% dos profissionais em atividade, conforme a legislação. Além disso, acionou equipes próprias para reforçar o serviço durante a paralisação. Procuradas pela VTV, emissora afiliada do SBT, as demais prefeituras afetadas pela greve ainda não se manifestaram.

