Guerra da Ucrânia: com os bombardeios mais recentes, a Ucrânia contabiliza 22 mortes em apenas uma noite de ofensiva russa.
Ao menos 17 pessoas morreram em um ataque russo a uma colônia penal na região de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a antecipação do prazo dado a Moscou para aceitar um cessar-fogo. O ataque ocorreu durante a noite de segunda para terça-feira (29), deixando também dezenas de feridos, segundo autoridades ucranianas.
A ofensiva atingiu o refeitório da prisão, que foi completamente destruído. De acordo com o Ministério da Justiça da Ucrânia, quatro bombas aéreas de alto impacto foram lançadas no local, danificando outras áreas da unidade. O saldo parcial é de 42 feridos. A informação ainda não foi verificada de forma independente pela agência Reuters, e Moscou não comentou o caso até o momento.
Zelensky acusa ataque deliberado
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou o bombardeio como intencional. Para ele, o episódio foi uma resposta clara à nova posição do governo dos Estados Unidos. “Eles sabiam que estavam atacando civis”, declarou. Segundo o presidente, outras cinco pessoas morreram em ações simultâneas da Rússia durante a madrugada, incluindo uma mulher grávida de 23 anos, vítima de um ataque a um hospital em outra área do sudeste ucraniano.

Com os bombardeios mais recentes, a Ucrânia contabiliza 22 mortes em apenas uma noite de ofensiva russa. Os ataques ocorreram além das zonas de combate, uma estratégia que tem se intensificado no quarto ano de guerra, com Moscou buscando ampliar seus ganhos territoriais.
Na véspera, durante visita ao Reino Unido, Donald Trump afirmou que a Rússia terá menos tempo do que o previsto para aceitar um cessar-fogo sob risco de novas sanções. Anteriormente, o republicano havia dado prazo de 50 dias — agora encurtado sem menção a nova data específica.
Trump também ameaçou punir países que continuarem comprando commodities russas e afirmou que sua disposição para negociar diretamente com o Kremlin “já não é tão grande”.

Em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que o governo russo tomou conhecimento da declaração.
“A operação militar especial continua. Estamos comprometidos com um processo de paz para resolver o conflito em torno da Ucrânia e garantir nossos interesses no curso desse acordo”, disse. O Kremlin não comentou a nova fala de Trump sobre o fim dos diálogos diretos com Vladimir Putin, com quem o presidente norte-americano teria conversado pelo menos seis vezes desde o retorno à Casa Branca, em janeiro.

