Governo Trump adia as tarifas; o Brasil está entre os países que sofrerão as sanções, com uma tarifa total de 50% sobre produtos importados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adiar a entrada em vigor do pacote de tarifas retaliatórias anunciado em abril e impôs um novo prazo: 7 de agosto. A decisão foi formalizada por meio de ordem executiva assinada nesta quinta-feira (31), um dia antes do limite anteriormente anunciado pelo governo.
O Brasil está entre os países que sofrerão as sanções, com uma tarifa total de 50% sobre produtos importados — resultado da alíquota-base de 10% somada ao acréscimo de 40 pontos percentuais anunciado na véspera.
Decreto altera prazos e confirma taxas
O decreto presidencial publicado nesta quinta reajusta as alíquotas previstas no chamado “Dia da Libertação”, marco da política comercial do republicano em 2 de abril. O documento estabelece que as tarifas só entram em vigor sete dias após sua publicação — o que empurra os efeitos práticos para a próxima quinta-feira. Além do Brasil, dezenas de países estão na lista, com alíquotas que variam entre 10% e 41%.
Embora tenha reiterado nos últimos meses que 1º de agosto seria uma data “inadiável” para o tarifaço, Trump voltou a recuar. O republicano havia suspendido a aplicação das tarifas por 90 dias, em abril, para abrir espaço a negociações com países aliados. Desde então, o período foi marcado por tensão com a China, oscilações nos acordos com Japão, México e Canadá, e pressões políticas contra parceiros considerados “anti-americanos”.
O anúncio impactou diretamente o movimento das bolsas internacionais. Os mercados asiáticos encerraram o pregão desta sexta-feira (1º) em baixa acentuada, refletindo a instabilidade provocada pela escalada da guerra comercial americana.
Na Europa, as bolsas atingiram a menor marca em três semanas. O índice pan-europeu Stoxx 600 operava com queda de 1,24% às 6h35 (horário de Brasília). Londres registrava baixa de 0,40%, Paris recuava 1,69% e Frankfurt apresentava queda de 1,55%. Milão, Madri e Lisboa também acompanharam o movimento, com perdas de 1,52%, 0,73% e 0,93%, respectivamente.

Setor farmacêutico em foco
As ações do setor de saúde também foram atingidas. O governo americano enviou cartas a 17 multinacionais farmacêuticas exigindo a redução dos preços de medicamentos prescritos nos EUA. O movimento gerou reação imediata do mercado: a Novo Nordisk caiu 4,2% e atingiu seu menor patamar em quase três anos; a Sanofi recuou 1%.
O índice de referência europeu acumula queda de 4,4% desde o pico registrado na última segunda-feira (28), impactado tanto pela pressão tarifária quanto pela queda da Novo Nordisk, que havia emitido alerta de lucro.
O DAX, principal índice da Alemanha, recuou 1,1%. Já o OMXC, da Dinamarca, caiu 2,8% e atingiu o menor nível em quase dois anos.
Apesar do cenário negativo, algumas empresas conseguiram escapar da maré baixa. A italiana Campari subiu 8,6% após reportar alta no lucro operacional do segundo trimestre. A IAG, holding que controla a British Airways, avançou 2,1% com a manutenção da demanda por voos transatlânticos.

